Vendas continuam e dólar cai a R$ 1,742
1 de setembro de 2010

 Acompanhando a euforia que pauta os negócios nos mercado globais nesta quarta-feira, o mercado de câmbio local também mostra oscilação atípica. O dólar comercial foi abaixo do "piso informal" de R$ 1,75, respeitado desde maio.

Na mínima do dia, o dólar comercial foi a R$ 1,739, e, por volta das 13h30, a moeda era negociada a R$ 1,742 na venda, depreciação de 0,85%.

No mercado futuro, o contrato para outubro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), recuava 0,79%, a R$ 1,7525.

O Banco Central (BC) já fez um leilão de compra no mercado à vista, tomando dólares a R$ 1,7407 por volta das 12h20. Conforme notou o especialista em câmbio da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, fica a dúvida sobre a possibilidade de um novo leilão.

A última vez que o BC fez duas intervenções no pronto em um mesmo pregão foi em 3 de maio, quando a moeda fez mínima intradia de R$ 1,728.

Fora isso, diz Puccinelli, volta a preocupação com a possibilidade de anúncio de leilão de swap cambial reverso, operação equivalente a compra de dólares no mercado futuro. Essa "sombra" paira sobre o mercado desde 23 de julho, quando o BC fez uma sondagem informal às mesas de operação.

O tom comprador do dia foi garantido pelos dados divulgados pela economia chinesa. Dois Índices de Gerentes de Compra (PMI, na sigla em inglês) mostraram melhora da atividade na indústria. O discurso propagandeado pelo noticiário da China, da Europa e dos EUA é que o dado afasta a percepção de desaceleração mais acentuada na economia chinesa.

Segundo Puccinelli, depois de um "mar de pessimismo", que caracterizou o mês de agosto, os dados positivos promovem essa corrida aos ativos de risco ao redor do mundo. Mas o especialista acha difícil que esse seja um movimento consistente de melhora.

Dando força à percepção de Puccinelli, a economia americana voltou a mostrar dados díspares. Segundo a ADP, empresa que processa folhas de pagamento, o setor privado fechou 10 mil empregos de julho para agosto, contrariando as expectativas de estabilidade ou continuação da criação de vagas.

Outro dado negativo veio do setor de construção. Os gastos com o setor recuaram 1% em julho, queda duas vezes superior à estimada.

Contrastando, o índice de atividade na indústria, calculado pelo ISM, subiu de 55,5 em julho para 56,3 em agosto, acima do previsto.

De volta ao mercado local, o assunto capitalização da Petrobras também está no radar. Duas reuniões previstas para acontecer hoje, em Brasília, podem resolver o impasse sobre o preço do barril na cessão onerosa, o que abre caminho para a oferta de ações da estatal.

Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central (BC) apresentou o comportamento do fluxo cambial na semana encerrada dia 27 de agosto. O resultado foi negativo em US$ 1,31 bilhão, com saída tanto pela conta financeira quanto pela comercial.

Chama atenção a mudança de posição do Banco Central (BC), que comprou apenas US$ 92 milhões nos leilões que realizou ao longo da semana. Na semana anterior, foram US$ 533 milhões.

Com isso, o saldo efetivo na semana ficou negativo em US$ 1,40 bilhão. Tal quantia engorda a posição vendida dos bancos, que agora passa dos US$ 13 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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