Projeção é de queda história no preço do milho em Mato Grosso
29 de dezembro de 2008

Autor: Diário de Cuiabá

No momento em que os produtores estão em pleno período de plantio, em meio à turbulência financeira, analistas revisam para baixo as projeções para a produção indicando que a safra de soja terá queda de 10% em Mato Grosso e, a de milho, 50%, recuo jamais observado na cultura na atual década.

Na avaliação de especialistas do mercado, a recente queda dos preços dos principais grãos plantados em Mato Grosso, a restrição de crédito pelas tradings e a dificuldade maior de se obter financiamento em bancos em termos de aperto global terão efeito na produção da safra 2008/09, que acaba de ser plantada e começa a ser colhidas em alguns talhões ao noroeste mato-grossense.

Segundo os consultores, a produção de soja só não cairá mais porque o planejamento da semeadura em Mato Grosso – o maior produtor nacional – começou antes de a crise eclodir nos Estados Unidos e porque e o plantio ocorreu em boa parte nas fertilizadas terras antes dedicadas ao algodão, o que permitiu economia no custeio.

Já o milho terá drástica redução de plantio, com os produtores semeando mais a soja, que garante atualmente uma rentabilidade superior ao milho, apesar do recuo nas cotações.

Este ano, justamente na hora do plantio, veio o choque. “Isso acendeu um farol amarelo para a intenção de aumento de área”, disse o analista da AgraFNP, Pedro Colussi. Segundo ele, 08/09 “tinha tudo para ser um grande ano”, a área de soja poderia aumentar e agora o analista vê forte queda no milho.

Para Fernando Muraro, da AgRural, os investimentos em fertilizantes caíram e, apesar da rentabilidade menor da oleaginosa em relação à safra 07/08, os ganhos ainda “são razoáveis”, mesmo ante custos recordes de US$ 800 a US$ 900 por hectares nas área de soja no Centro-Oeste”.

Para o milho, a situação é pior. Segundo Muraro, no Sul do país, onde se situa o maior produtor do país (Paraná), o custo de produção ficou acima do da soja. “Plantar milho ficou inviável”, alerta.

No Brasil a área do milho deverá ter queda de 5% a 8%, puxada pela redução do Sul. Mas, no caso de Mato Grosso, a perda será bem maior, podendo chegar a 50%, na safrinha, período no qual o Estado lidera a produção. A safrinha é opção dos agricultores que cultivam a soja de ciclo curto e por isso, antecipam a colheita e conseguem, já a partir de fevereiro, aproveitar as chuvas e fazer uma nova safra, em geral milho, mas há quem prefira o algodão.

Na avaliação dos analistas, a situação do milho é mais grave que a da soja, entre outros fatores, pelos grandes estoques de passagem em 2007/08. “É uma safra de muita tensão, acredito que a situação eventualmente pode melhorar após a turbulência”.

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