Abate concentrado em Mato Grosso
14 de julho de 2015

A maior parte, 98%, teve como destino final as plantas frigoríficas locais. Levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), mostra que os pecuaristas mato-grossenses movimentaram 3,16 milhões de animais para cria, recria e engorda nos primeiros três meses deste ano dentro do Estado. Outras 79,07 mil cabeças foram levadas a outros estados para as mesmas finalidades.
Dessa movimentação toda, os animais encaminhados ao abate dentro do Estado somaram 1,15 milhão neste período, em Mato Grosso, frente aos 36,77 mil enviados para as indústrias de Goiás, Rondônia, São Paulo, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Em 2014, os abates dentro de Mato Grosso totalizaram 5,30 milhões de animais, enquanto o envio de animais para abate fora do Estado foi de 217,52 mil.
 
O presidente da Acrimat, José João Bernardes, explica que o pequeno volume de animais enviados para outras regiões do país, em comparação ao rebanho negociado dentro do Estado, não justifica o fechamento das unidades frigoríficas registrado em Mato Grosso, que é o estado detentor do maior rebanho bovino do país.
Somente neste ano, conforme o Imea, cinco unidades fecharam. Nessa semana, a Minerva Foods encerrou as atividades na unidade Mirassol D´Oeste (329 quilômetros ao oeste de Cuiabá). A companhia é a segunda a anunciar a paralisação dos abates e do processamento de carnes bovinas em menos de uma semana no Estado. Na semana passada, foi a JBS Friboi que fechou a unidade de Cuiabá, eliminando 500 empregos diretos. A falta de matéria-prima, que são em geral machos a partir de 24 meses, é a alegação da indústria.
 
“Vale ressaltar que ainda temos 22 empresas com Serviço de Inspeção Federal (SIF) funcionando em Mato Grosso. É claro que o fechamento de qualquer planta causa um desconforto no mercado, principalmente para os pecuaristas que perdem a oportunidade de comercializar o rebanho com preços melhores, devido à falta concorrência, e às vezes ficam sem frigoríficos próximos as suas propriedades”, pontua.
 
Ele ainda pontua que a pecuária passa por um período de escassez de oferta. “Seguindo o curso normal do ciclo pecuário, a oferta estará maior a partir de 2017, quando teremos mais de 4 milhões de machos disponíveis para abate. Além disso, é provável que a entrada do boi de confinamento melhore a oferta ainda neste ano”, finaliza Bernardes, a partir do segundo deste segundo semestre.
 
Ainda conforme dados apurados pela Acrimat, Mato Grosso oferta em 2015 o menor estoque de bovinos machos, com mais de 24 meses, dos últimos nove anos. Esses bovinos nessa faixa etária é que movimentam as escalas de abate dos frigoríficos e que preenchem a capacidade instalada das plantas. Os números da segunda etapa da vacinação contra febre aftosa, realizada em novembro do ano passado em animais de todas as idades, revelam que o estoque de animais machos prontos para abate é 3,9 milhões de cabeças. Esse resultado é reflexo do grande volume de matrizes encaminhadas para o abate entre os anos de 2011 e 2013, estratégia que comprometeu a oferta de animais para reposição nos anos seguintes.
Também a pedido da Acrimat, o Imea trabalhou em uma perspectiva para o curto prazo, para os próximos dois anos. Os resultados revelam que a oferta de boiadas deve melhorar no ano que vem, mas que o grosso dos animais disponíveis para abate chegará somente em 2017.

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