Exportadores criarão "Opep do gás" em reunião em Moscou
23 de dezembro de 2008

MOSCOU (Reuters) - Os ministros de Energia de 12 países exportadores de gás viajaram a Moscou na terça-feira para criar um grupo, o qual, segundo eles, não controlará a produção, nem os preços do produto, ao contrário do que temem consumidores de energia no Ocidente.


A "Opep do gás" será criada com base em um grupo informal chamado Fórum dos Países Exportadores de Gás (FPEG), que inclui 16 Estados, entre eles Argélia, Irã, Catar, Venezuela, Indonésia e Nigéria.


As nações consumidoras ocidentais, preocupadas com a possibilidade do grupo controlar os preços, estão prestando atenção no encontro, que será chefiado pelo primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e apoiado pelo presidente, Dmitry Medvedev, que oferecerá um jantar no Kremlin, na noite de terça.


Os membros do fórum negam a intenção de controlar preços e dizem que o objetivo principal do novo grupo é monitorar o mercado de gás e conduzir pesquisas conjuntas.


"Uma colaboração mais formal sempre fez parte dos nossos planos", disse o ministro nigeriano do Petróleo, Odein Ajumogobia, à Reuters.


"O Estado do desenvolvimento do gás é muito diferente do petróleo. Com o petróleo, você tem um preço internacional. Com o gás, você tem um preço doméstico, um preço internacional, outro de exportação, etc", acrescentou.


Autoridades russas disseram que os ministros vão elaborar uma carta que tornará a FPEG uma organização formal com sede na segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo. O grupo manterá o mesmo nome, no entanto.


A empresa russa Gazprom, maior produtora de gás do mundo, responsável pelo abastecimento de um quarto das necessidades de gás da Europa, assinou um contrato neste ano com o Irã e o Catar, acertando o que chamou de um "enorme triunvirato do gás" para coordenar as políticas do mercado, mas negando tentativa de influenciar os preços.


A Rússia que também é a segunda maior exportadora de petróleo, disse considerar todas as opções, inclusive juntar-se à Opep, para defender seus interesses nacionais. Mas não ofereceu cortes de produção ou negócios especiais para a Opep em uma reunião da entidade na Argélia, na semana passada.


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