Preço mínimo para trigo irrigado em Mato Grosso é discutido por câmara técnica
6 de março de 2015

A Câmara Técnica do Trigo de Mato Grosso se reuniu nesta quinta-feira (5) em Cuiabá. Em pauta, a discussão de um preço mínimo de R$ 50 para trigo cultivado em áreas de irrigação e de um novo projeto para a criação de um fundo de apoio à pesquisa de trigo no Estado.
 

O preço mínimo para o trigo de sequeiro no Centro-oeste é de R$ 36,80, de acordo com o gerente de operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Diogo Neia Eberhardt. “Nesta reunião, a câmara técnica do trigo quer um preço mínimo maior para o trigo irrigado, que tem um custo de produção maior por conta da energia elétrica que se gasta nos pivôs, mas ainda não há formas de se diferenciar o trigo de sequeiro do trigo irrigado”, afirma.


A definição de um preço mínimo para esse tipo de trigo foi passada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), conforme o coordenador da Câmara, Hortêncio Paro. “Deve haver um preço mínimo maior para o trigo irrigado, pois seu custo de produção e sua qualidade são maiores que o trigo de sequeiro. Isso remuneraria o produtor e muitos produtores passariam a plantar também”, afirma Paro. De acordo com ele, Mato Grosso cultiva aproximadamente 300 hectares de trigo.


Lino José Ambiel é agricultor em Nova Mutum e cultiva trigo entre junho e setembro, durante o vazio sanitário da soja, que ele também planta em sua propriedade. Em Mato Grosso há 29 anos, ele conta que já cultivava trigo quando morava em Maringá (PR) e há quatro anos resolveu plantar 50 hectares da cultura de inverno com irrigação, sendo que nos três primeiros anos plantava apenas para experimento. Na última safra, o plantio foi comercial e obteve uma produtividade de 60 sacas por hectare, considerada boa, já que no Paraná sua produtividade era de 55 sacas por hectare.
 
 O produtor comercializou o trigo em Cuiabá (MT) por R$ 40 a saca, mas segundo ele, esse valor não cobre os custos de produção. “O mínimo teria que ser R$ 50 por saca porque o custo em Mato Grosso para produzir trigo é muito alto por causa da energia que se gasta com irrigação”, diz Ambiel. Ele opta pelo cultivo de trigo para fazer rotação de culturas, já que também cultiva soja e milho safrinha em sua propriedade. Ele acredita que, se houvesse um preço mínimo para garantir a lucratividade com a cultura, mais produtores se animariam a plantar trigo no Estado.


Com relação à criação de um fundo para gerar recursos para pesquisa de trigo em Mato Grosso, já houve um projeto de lei criado em 2013 que receberia o nome de Factrigo. Conforme o representante da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) que participou da reunião, Xisto Bueno, a proposta era de que cobrar cerca de R$ 0,02 por cada quilo de trigo que entrasse no Estado para o financiamento de pesquisas, o correspondente a R$ 20 por tonelada de trigo importada.


No entanto, a Comissão de Constituição e Justiça da AL entendeu que a proposta deveria vir do Governo do Estado. “Deverá ser discutido um novo projeto de lei para criação de uma proposta de fundo para o trigo que não onere nem o produtor e nem a importação de trigo pelo Estado”, comenta Bueno.


O coordenador da Câmara Técnica do Trigo, Hortêncio Paro, informa que a nova proposta para a criação de um fundo ainda está em discussão e deve ser criada para viabilizar pesquisas tanto de trigo quanto de feijão no Estado.

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