Presidente da Famato diz que produtores e caminhoneiros têm pauta comum
5 de março de 2015

O preisdente da Federação da Agricultura de Mato Grosso, Rui Prado, disse que os produtores rurais "têm uma pauta em comum" com os caminhoneiros, que fizeram 12 dias de bloqueios em rodovias federais, "porque sentimos no bolso a alta do preço do diesel – um dos principais componentes do custo de produção do agronegócio". Prado aponta que o objetivo agora "não é debater a legalidade dos protestos e muito menos opinar se somos contra ou a favor. Somos um país democrático e, apesar dos prejuízos que a paralisação está gerando no setor produtivo e na sociedade", apontou, em artigo publicado nesta quarta-feira em Só Notícias/Agronotícias.
"Para além do momento estranho que o país atravessa, em que a conjuntura econômica e política nacional nos deixa em alerta máximo, as lideranças públicas precisam considerar o que alertamos há décadas: a necessidade de diversificar os modais de transporte no Brasil, principalmente nos grandes polos de produção. Essa paralisação dos caminhoneiros mostrou o quanto a sociedade está desprovida de rotas alternativas de escoamento de produtos, bens e serviços. Investir em outros modais como o ferroviário e o hidroviário é necessário para desafogar a malha rodoviária e impulsionar a competitividade e o desenvolvimento econômico do país", defende Prado.
"No aspecto político, observamos uma crise de confiança da sociedade que cresceu ainda mais após o aumento dos impostos, das tarifas públicas e a quebra de compromissos assumidos há menos de 120 dias pela “nova” gestão federal. As novas descobertas da operação Lava Jato, deflagrada em março do ano passado envolvendo políticos e empresários da Petrobras num esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, surgem a todo momento. Embora possa não corresponder à realidade, ficamos com a forte sensação de que pagaremos mais uma vez o banquete de outros. Impossível não pensar sob este prisma. No mercado internacional houve uma queda expressiva no valor do barril do petróleo e no Brasil o preço dos combustíveis só aumenta. Como digerir essa equação?", questiona
"O país está frágil com o aumento dos juros, diminuição do superávit da balança comercial, aumento do câmbio, moeda instável, crise de confiança e corrupção na política. Os brasileiros estão quase imobilizados diante de tantos golpes a sua capacidade empreendedora. Devemos ficar atentos. Os desdobramentos da paralisação dos caminhoneiros são imprevisíveis. Um barco à deriva pode atingir qualquer porto. O poder público precisa fechar uma pauta das reivindicações para resolver os problemas em curto, médio e longo prazos e, sem sombra de dúvida, a logística deve permear todas as discussões, sejam elas políticas ou econômicas. A paralisação dos caminhoneiros deixou bem claro que sem logística eficiente o país não funciona", emendou.
 

Fonte: Só Notícias/Agronotícias/Angela Fogaça

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