Etanol segue vantajoso em Mato Grosso
16 de fevereiro de 2015

Quem abastecia com o derivado do petróleo passou a utilizar o derivado da cana-de-açúcar para reduzir as despesas. Para se ter uma ideia, o litro da gasolina estava sendo vendido por até R$ 2,99 no início de fevereiro e saltou para até R$ 3,39 em algumas revendas, um reajuste de 13,3%.
 


Considerando um veículo cujo tanque tenha capacidade para 40 litros, o motorista que gastava R$ 119,60 ao adquirir esse volume de gasolina agora está desembolsando R$ 135,60. A diferença de R$ 16 daria para abastecer mais 5 litros, com o preço antigo.
 


Conforme o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool/MT), Jorge dos Santos, apesar de a gasolina render um pouco mais de 20%, a vantagem de abastecer com etanol ainda é maior. “Gasta-se menos com o etanol, porque tira-se menos dinheiro do bolso, sem contar que é muito mais barato em relação ao consumo.
 


Além disso, ambientalmente é mais correto, você não afronta o meio ambiente. Essa deveria ser a maior das razões”.O reajuste no preço da gasolina é decorrente da cobrança do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), conforme determinação do governo federal, e que atinge também o óleo diesel. A incidência dos impostos passou a valer no início deste mês e a partir de maio voltará a ser cobrada a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), quando o governo poderá suspender a incidência do PIS e da Cofins.
 


Em decorrência da tributação autorizada pelo governo, a gasolina foi majorada, ampliando a vantagem do etanol sobre o combustível. O biocombustível que chegou a ser vendido por até R$ 1,89 nas revendas de Cuiabá; e Várzea Grande está custando até R$ 2,19, alta de 15,8%.
 


Apesar do aumento de 30 centavos, o novo valor equivale a 64,6% da cifra desembolsada pela gasolina, fazendo com que, matematicamente, o etanol seja mais competitivo que a gasolina. Quando a diferença entre os 2 combustíveis é inferior a 70% é mais vantajoso abastecer com o etanol. Isso ocorre porque motores abastecidos com álcool consomem 30% a mais, em média, do que os abastecidos com gasolina.
 


As contas na hora de abastecer começaram a ser feitas pela empresária Rosangela Aparecida. Para ela, a escolha pelo etanol foi a melhor alternativa para tentar economizar, pois ela e seu marido possuem 2 carros. “Além de não abastecer com gasolina, eu também modifiquei minha rota. Não faço mais paradinhas nos lugares. Eu e meu esposo estamos usando só 1 carro apenas e mesmo assim ainda estou pensando em outra variação, como comprar uma moto”.
 


A mesma ideia é defendida por Terezinha Canavarros, que divide o carro com a sua filha e quando precisa fazer algo, acaba planejando tudo para o mesmo dia, evitando assim fazer várias paradas. “Sempre que dá resolvo as coisas a pé, porém às vezes preciso do carro, mas aí eu faço tudo num dia só, para economizar no combustível”, conta.
 


A migração da gasolina para o etanol também é confirmada pelo gerente de um posto localizado na avenida Miguel Sutil, em Cuiabá;. Vanderley França, que trabalha há 21 anos na empresa, afirma que só os clientes que possuem carro 2.0 acabam abastecendo com gasolina, pois o favoritismo é pelo o etanol hidratado, que mesmo com um aumento de 10 centavos no posto, ainda sim é mais barato.
 


O gerente ressalta que o reajuste nos combustíveis, de uma forma geral, fez com o movimento caísse 30%. “Estou com meus 8 funcionários praticamente parados. Isso porque estamos oferecendo algumas promoções, como a lavagem de veículos, mas mesmo assim está parado”.
 


Apesar do acréscimo nos valores, o gerente de um outro posto, desta vez no bairro Araés, Hugo Arima diz que suas vendas aumentaram 20% em fevereiro em relação a janeiro e dezembro. Ele afirma que 60% dos seus clientes optam pelo abastecimento com etanol. “Desde a Copa do Mundo a coisa desandou, minhas vendas em dezembro e janeiro chegaram a cair 40%, mas agora em fevereiro, mesmo com o aumento nos combustíveis, tive um acréscimo”.
 


Arima destaca que os boatos envolvendo uma grande crise econômica estão deixando todos apreensivos. “O que eu posso fazer para não assustar os consumidores é ter um preço bom, pois a margem é baixa”.
 


Em uma outra revenda, no bairro Quilombo, o gerente Renato Luan diz que a procura pelo o etanol é grande, devido ao preço, que segundo ele acaba chamando atenção. Ele comenta que mesmo o combustível custando R$ 2,19 (o litro), o movimento caiu em 30% e a solução que a empresa encontrou foi reduzir os valores nos produtos da conveniência que mantém junto ao posto.
 


CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS - Se depender das tendências de preços e dos comportamentos dos consumidores em decorrência dos reajustes, a preferência pelo etanol vai mexer com o mercado. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no ano passado o consumo de etanol somou 514,045 milhões de litros em Mato Grosso, alta de 5,2% sobre o volume demandado no ano anterior, que totalizou 488,525 milhões (l).
 


A gasolina registrou maior variação (12,8%), saltando de 587,030 milhões (l) em 2013 para 662,409 milhões (l) no ano passado. O óleo diesel, principal combustível consumido no Estado, aumentou apenas 0,18%, passando de 2,702 bilhões (l) para 2,707 bilhões (l) de um ano para outro. IMPACTO
 


GENERALIZADO - De acordo o produtor rural e ex-diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo Arioli Silva, o aumento no diesel já pode ser sentido, não só no custo da produção, mas principalmente no preço dos produtos vendidos no mercado, independentemente do setor. “Esse reajuste tem um impacto direto e pega todo mundo. No supermercado os produtos já tiveram um aumento. Tudo isso porque as transportadoras usam o diesel como combustível, e o frete acaba ficando mais caro, impactando no valor final dos produtos oferecidos aos consumidores. O diesel é o gatilho da inflação. Se ele aumenta, tudo sobe”.
 


Arioli ressalta que o Brasil está indo na contramão do que está acontecendo no mundo. “Caiu o preço do petróleo, mas pra gente aqui as coisas aumentaram, não faz sentido”. Miguel Mendes, diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Cargas do Mato Grosso (ATC/MT) declara que o acréscimo no valor do diesel reflete diretamente no bolso do transportador devido à falta de poder de negociação. “O caminhoneiro que faz o frete não consegue negociar por causa da oferta e procura. São vários entre autônomos e empresas. E por faltar esse poder de negociação, que muitos profissionais têm feito protestos”

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