Mato Grosso colhe soja úmida para evitar perdas
30 de janeiro de 2015

O mesmo clima úmido que salva plantações castigadas por semanas de seca em janeiro também apressa o passo de quem plantou variedades superprecoces.
 
 
Um ano depois de perder 7 mil sacas de soja (420 toneladas), Rodrigo Pereira Martins iniciou a colheita mesmo sabendo que terá mais trabalho na secagem. As chuvas intensas da colheita do ano passado levaram embora volume que exigem o cultivo de 140 hectares. A Expedição Safra acompanhou o carregamento do primeiro caminhão e conferiu que o ânimo é outro neste ano.
 
 
Ainda não se trata de pressa para plantar milho, relata Martins. O estado acelerou o plantio da soja em setembro do ano passado com esse objetivo. E pretende concluir a semeadura de cerca de 3 milhões de hectares com o cereal dentro de um mês e meio.
 
 
A questão é garantir o maior volume de soja possível num ano de cotações pressionadas. Um dos primeiros produtores a colher soja em São Pedro da Cipa (Sudeste de Mato Grosso), Martins registra 50 a 52 sacas por hectare. O talhão teve de ser replantado entre setembro e outubro mas acabou rendendo volume que corresponde à previsão de produtividade média no estado.
 
 
Sua propriedade é um retrato da colheita e da expectativa de produção de soja em Mato Grosso. Os primeiros talhões correspondem a menos de 20% da lavoura e devem chegar aos armazéns nos próximos dias. Outra parcela, que mostra ter sofrido com o clima em janeiro, também deve registrar perdas. A maior parte da produção, no entanto, ainda tem potencial preservado e pode elevar o volume médio por hectare.
 
 
Assim, com o avanço da colheita, a produtividade tende a cair nas próximas semanas, aponta o gestor de Projetos do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca. Ele considera que essa segunda parcela de soja estava na fase de florescimento e enchimento de grãos no segundo veranico da safra.
 
 
Por outro lado, as chuvas previstas para esta e a próxima semana são bem vindas e podem oferecer recuperação para as lavouras que serão colhidas a partir da segunda quinzena de fevereiro.
 
 
Para Latorraca, mesmo que os problemas climáticos registrados até agora tenham consequências severas, a produtividade não deve cair mais do que duas sacas por hectare, mantendo a média dos últimos anos.
 
 
Terminais de embarque de soja em trens estão preparados para o transporte. Em Itiquira, a operadora Seara faz ajustes à espera dos primeiros carregamentos. Num momento em que as vendas estão paradas, a produção sai do campo e demora mais para seguir aos portos em comboios de vagões ou caminhões.

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