Mato Grosso, a “Arábia Verde” do Brasil
26 de dezembro de 2014

 
Biodiesel e o Brasil – O Brasil é o país onde o biodiesel encontrou as condições mais favoráveis para se desenvolver tanto sob o ponto de vista quantitativo quanto qualitativo.
 
As vantagens quantitativas ficam evidentes graças a dois fatores: o primeiro diz respeito á quantidade de vegetais aptos a serem usados na fabricação do combustível. Até agora as pesquisas demonstraram que palma, babaçu, soja, girassol, amendoim e a mamona são as plantas que oferecem óleos de melhor qualidade, mas outras fontes também vêm sendo testadas (como caroço de algodão e até sebo bovino, por exemplo) e os cientistas garantem que, em uma década, esta oferta pode até dobrar. O segundo fator quantitativo diz respeito ao volume recorde de oleaginosas que o País produz a cada safra. A soma destes dos fatores, garantem especialistas da área, dão à produção nacional uma fonte natural de óleos, mas com uma vantagem gigantesca sobre o petróleo: no caso do biodiesel, a fonte se renova a cada plantio.
 
Sob o ponto de vista qualitativo o Brasil também apresenta grandes vantagens frente a outros países. Graças às opções de crédito oferecidas a custo relativamente baixo para o produtor, surgiu uma linha própria da agroindústria especialmente desenvolvida para o setor, garantindo ao País o domínio completo de todas as etapas do processo produtivo do combustível, desde o plantio da matéria-prima até o seu refino.
 
Tudo isso, encontrado na indústria do biodiesel nacional, cria o diferencial entre economias dependentes e as que realmente constroem alicerces para alçar voos mais altos.
 
“Há setores da indústria brasileira que são viciados em copiar e se mantém em pé unicamente pelo volume de produtos vendidos... esse é um falso capitalismo, pois seus agentes não se sustentam pelo mercado, mas pelos subsídios governamentais; mas há no Brasil também aqueles que investem em inovação, em pesquisa, que não se contentam com a fotocópia... estes são os que sempre despontarão no mercado, que sempre serão vanguarda, estejam onde estiverem”. Quem afirma isso é o antropólogo brasileiro Anthony Knopp, diretor de cooperação de programas industriais do MIT – Massachusetts Institute of Technology.
 
Biodiesel e o Mato Grosso – Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP – não deixam dúvidas quanto ao fato de o Mato Grosso ter enorme potencial para ser chamado, muito em breve, de “Arábia Verde” do Brasil.
 
Das 64 usinas de beneficiamento de biodiesel existentes atualmente no País, 21 estão instaladas em solo mato-grossense, 13 destas já credenciadas pelo Selo de Combustível Social. Esta vantagem também se repete no volume de combustível produzido: de janeiro a outubro de 2014 foram produzidos no estado quase 500 milhões de litros de biodiesel, o que representa 25% do total produzido no Brasil neste mesmo período.
 
Ainda depõem a favor de Mato Grosso o fato de suas usinas terem a melhor capacidade instalada em relação às suas concorrentes de outros estados. Isso quer dizer que, caso a demanda pelo combustível verde aumentasse em 10% de um dia para outro, mesmo assim, a indústria mato-grossense estaria apta a suprir a demanda, garantem técnicos da ANP em Brasília.
 
Recentemente o governo federal deu andamento à sua política de substituição aos combustíveis fósseis na matriz energética nacional e sancionou lei que aumenta o percentual de mistura de biodiesel ao diesel comum vendido nos postos de combustíveis.
 
A nova norma, aprovada pelo plenário do Senado Federal dia 02 de setembro último, determina que o índice aditivo de biodiesel à mistura passe de 5% para 6%, muito embora empresários do setor já tenham informado ao Ministério da Agricultura e à ANP que estão prontos para atender a uma adição de 7% sem comprometer a produção e o abastecimento. Isso poderá ocorrer muito brevemente, pois outra Medida Provisória tratando do tema já vem sendo elaborada pelo Palácio do Planalto.
 
Projeções animadoras - Especialistas e empresários do setor fazem projeções animadoras para o mercado de biodiesel em futuro próximo. Segundo eles, o percentual na mistura que é vendida ao consumidor final poderá ser de até 20% nos próximos cinco anos e de até 40% em 2035.
 
Bom para o bolso, bom para o mundo – O biodiesel tem se mostrado bastante versátil também em suas potencialidades ambientais e o aumento de seu consumo ajudará o Brasil a atingir as metas de diminuição de gases pesados na atmosfera da qual é signatário junto à Organização das Nações Unidas.
 
Recentemente, conforme noticiado pela Agência JB Press e publicado em matéria especial pelo CenárioMT (leia matéria completa aqui) o Brasil assumiu o compromisso de criar as condições básicas para que seja desenvolvida uma política de “agropecuária de baixo carbono”. As medidas para concretizar as intenções demandarão altos investimentos para substituição da atual matriz tecnológica.
 
Através de especialistas, o Ministério da Agricultura afirmou na semana passada que vem se preparando para auxiliar no que for possível os agropecuaristas brasileiros a atingirem estes objetivos e tem negociado, junto ao BNDES e ao Banco do Brasil, linhas de crédito rural da ordem de R$ 157 bilhões para os próximos cinco anos.

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