Curvas perigosas nas rodovias
8 de dezembro de 2014

Na última semana foi divulgado o resultado de mais uma edição do estudo desenvolvido pela Polícia Rodoviária Federal que procura identificar os pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais brasileiras. Esse trabalho é desenvolvido há 12 anos em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho, a OIT, a Childhood Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e, esse ano, com o Ministério Público do Trabalho. E os dados, novamente, são arrasadores.
 
Nesse novo levantamento, foram identificados quase dois mil pontos de prostituição ao longo de nove estradas federais. É um desatino! São milhares de jovens, adolescentes e até crianças, sendo exploradas da forma mais desumana, vivendo em ambientes deprimentes, submetidas a tratamento hostil e na maioria das vezes escravagista. Crianças se vendendo por míseros trocados, praticamente anulando a possibilidade de um futuro brilhante. E destaco que esta exploração atinge tanto meninos como meninas.


Esses dados são preocupantes não apenas do ponto de vista da estatística, que, por si só, gritam aos ouvidos das famílias brasileiras. Esses indicadores são arrasadores porque atingem a alma de todos nós, de maneira dura e revela uma realidade é cruel. Mais: números que cobram de todos nós uma postura mais firme em defesa e proteção de nossas crianças, adolescentes e jovens.


Não bastasse a problemática da exploração sexual, Mato Grosso abriga outras realidades igualmente preocupantes. Nos municípios de São Pedro da Cipa, Juscimeira e adjacências, crianças vão para a BR-163 vender, água, laranja, pequi, castanhas e outros produtos para ajudar no sustento das famílias. Elas aproveitam os redutores de velocidade que cortam essas cidades e até se colocam no meio da via para oferecê-los aos usuários. Quando não é isso, essas mesmas crianças, que precisam da proteção do Estado, estão expostas em barracos à beira da estrada também vendendo produtos que saem da agricultura familiar.


Verdade que o Governo Federal que tem procurado fazer o enfrentamento dessa situação com vários programas e projetos, inclusive o apoio ao próprio Projeto Mapear, que trás esse levantamento. Porém, a julgar pelos números alarmantes, vejo a necessidade que o Congresso Nacional concentre esforço para que esta situação seja tratada de forma mais firme e rotineira sobre essa questão tão deplorável e entristecedora. Eu, pessoalmente, pretendo me empenhar nesse debate.


Dentre as considerações desse estudo um fato me chamou a atenção e nos indica um dos melhores caminhos para o combate direto a essa questão tão complexa que ocorre nas estradas brasileiras. Trata-se do apontamento que mostra que as grandes obras de infraestrutura estão fazendo com que esses pontos migrem para outros lugares. Ou seja, quanto melhor a rodovia, quanto mais estruturada, menos pontos de prostituição foram registrados. Isto é, investir nas estradas é, sobretudo, atuar de maneira direta no combate à exploração sexual.


Isso me leva, portanto, a continuar o trabalho na defesa da melhoria da infraestrutura de nossas estradas. Tenho me colocado como um defensor árduo da melhoria da logística no Brasil. Aliás, esse foi um dos motivos que fez com que eu aceitasse o convite para a Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem. Outro fator decisivo é que em Mato Grosso, boas estradas são requisitos fundamentais para o aumento da competitividade dos nossos produtos, que tanto têm contribuído para ajudar o Brasil a melhorar as contas nacionais.


Sabemos que o combate a essa prática se esbarra em questão tênue e complexa. Sabemos que apenas a repressão não basta. É preciso fazer crescer os nossos indicadores sociais. É preciso que haja engajamento dos mais diferentes graus do poder público para fazer com que o progresso e o desenvolvimento se justifiquem com a geração de oportunidades. De minha parte, seguirei na esteira progressista de luta pela melhoria da infraestrutura das estradas, mas também estarei buscando os caminhos necessários para por fim a essa situação que classifico como crime brutal contra nossas crianças.

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