Seca no Paraná causa quebra de 10% na safra paranaense
19 de dezembro de 2008

A Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) divulga na manhã de hoje a primeira projeção oficial de perdas na safra de verão do estado devido a estiagem de mais de 30 dias. As regiões mais atingidas foram principalmente o Oeste e Sul do estado. A projeção inicial para a safra da safra de grãos 2008/09 apontava para uma colheita 22,69 milhões de toneladas, um aumento de 2,7% em relação à última safra, com a área plantada alcançando a 5,68 milhões de hectares.

Já se sabe porém que, com as perdas de mais de 50% no milho daquelas regiões e de 10% na soja nas regiões Oeste e Sul, além de quebra de 10% na safra de feijão das águas, essa previsão será reduzida em pelo menos 13% no total, o que significa uma colheita de cerca de 3 milhões de toneladas a menos de grãos nos estoques do Paraná.

Milho foi mais afetado

O que o Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria paranaense deve confirmar hoje é uma queda de quase 20% na safra de milho, que já teria uma redução de 5,2% na previsão da produção em relação a 2007 devido ao alto custo dos fertilizantes na época de plantio. Naquela ocasião, a expectativa era de uma colheita de 9 milhões e 200 mil toneladas na primeira safra.

Agora este número cai para algo próximo a 7 milhões e 500 mil toneladas. Já para a safra da soja, que teve um crescimento de 1,4% na área plantada de soja com quase 65 mil hectares a mais, havia uma expectativa de uma safra 1,6% maior, com colheita de 12,09 milhões de toneladas. Agora essa previsão deve ser reduzida em pelo menos 1 milhão de toneladas.

A maior expectativa que o Paraná mantinha para a safra de verão 2008/2009 era a do feijão das águas que teve um aumento de 19,1% na área de cultivo e possibilidade de crescimento de 41,7% na produção, passando de 429 mil toneladas em 2007/08 para 608 mil toneladas. Com a estiagem , a previsão é de uma queda da ordem de 10%. Segundo o Deral, as lavouras de feijão estão sofrendo por causa da estiagem e também por outros fatores climáticos desfavoráveis como a falta de umidade ideal para o plantio e germinação nos meses de agosto e setembro, seguido de excesso de chuvas e ventos frios.

Colheita concluída

De outubro até meados de novembro, as chuvas ficaram acima do normal, o que acabou atrapalhando o desenvolvimento de lavouras localizadas na região Sul, onde se concentra 70% da produção estadual. O quadro da cultura indica que mais de 10% da produção foi colhida, com bom resultado no que se refere à qualidade dos grãos. Do restante das lavouras, 1% está em fase de germinação, 36% em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, que é a fase mais crítica para o déficit hídrico, 24% em frutificação e 11% em maturação. Segundo o Deral, a produtividade do feijão até agora é de 1.212 quilos por hectare, 28% abaixo do esperado.


Gazeta Mercantil

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