Kátia Abreu critica ausência de política de garantia de renda ao produtor rural
18 de dezembro de 2008

Autor: Agência CNA

A inexistência de uma política agrícola que garanta renda ao produtor rural foi criticada, pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, durante a solenidade de posse da nova Diretoria da entidade, em Brasília. Ao discursar para um público superior a 800 pessoas, entre ministros de Estado, governadores, prefeitos, deputados, senadores, presidentes de Federações de Agricultura e lideranças empresariais, ela condenou a discriminação ao setor agropecuário, que contribui para o abastecimento da população e que garante o superávit da balança comercial brasileira. “O maior equívoco da política agrícola brasileira é estar focado sempre na defesa do crédito e jamais na renda do produtor, como sempre fizeram os países de primeiro mundo”, afirmou. E acrescentou. “Esquecem que contribuímos para as exportações com mais de 170 milhões de toneladas do excedente do consumo interno”, disse.

Kátia Abreu disse, também, que o Governo não dá a devida retribuição à agropecuária pela sua contribuição para a economia. “Esta proporção não chega a um décimo do valor de tão espantosa participação na economia. Ao longo de décadas, as atenções foram pífias”, ressaltou a senadora. Outro problema do campo mencionado pela nova presidente da CNA foi a falta de isonomia de tratamento entre trabalhadores urbanos e rurais. Na sua avaliação, é inaceitável a desatenção do Governo com os empregados do campo. “Diante da receita gerada pelas empresas em que trabalham, deve haver retribuição adequada, seja municipal, estadual ou federal”, enfatizou. Para a senadora, enquanto trabalhadores urbanos gozam de vantagens como crédito habitacional, educação, postos de saúde e transporte, o meio rural não dispõe de condições mínimas de segurança.

A presidente da CNA atacou, ainda, o problema da alta carga tributária sobre os alimentos, que chega a 16,9% no Brasil, muito acima dos tributos cobrados nos Estados Unidos, que representam menos de 1%, e dos 5,1% em impostos pagos pela Europa. “Esta oneração segue na contramão do desenvolvimento do País”, disse. A infra-estrutura e a logística no País também foram lembradas por Kátia Abreu. Defensora de melhorias nas condições de transporte para o escoamento da produção agrícola, a senadora afirmou que somente as rodovias respondem por 62% do escoamento da safra. No entanto, alertou que boa parte da malha rodoviária, hoje, é intransitável, o que pode reduzir os ganhos de comercialização e o preço dos produtos exportáveis. “Seria razoável que as rodovias fiquem permanentemente intransitáveis?”, questionou a senadora.

Além da presidência da CNA, Kátia Abreu estará à frente do Conselho Deliberativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Compõem a nova Diretoria da CNA, Ágide Meneguette, 1º Vice-Presidente, Fábio de Salles Meirelles Filho, Vice-Presidente Executivo, Pio Guerra Júnior, Vice-Presidente de Secretaria, e Ademar Silva Júnior, Vice-Presidente de Finanças.

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