Com economia fraca, venda de caminhões cai 14,2% até agosto
8 de setembro de 2014

As vendas de caminhões, um termômetro da produção no país, caíram 14,2% de janeiro a agosto, influenciadas pelo fraco desempenho da economia. Em agosto, a queda foi de 18,3% — ou 2,4 mil caminhões licenciados a menos — na comparação com igual mês de 2013.


O Globo

 
Lino Rodrigues e Rennan Setti

Segundo a Anfavea, associação que reúne as montadoras, outro fator a influenciar o setor foi a demora na implementação de novas exigências para financiamento pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, efetivadas em abril. O financiamento de caminhões caiu 21,7% de janeiro a julho, segundo dados da Cetip, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG). Foram 147.581 caminhões financiados, contra 188.403 no ano anterior.

— É um sintoma da queda nos investimentos e da lentidão da economia. Não esperamos melhora nem em 2015, que será marcado por ajustes — disse Sérgio Vale, da MB Associados.

No primeiro semestre, o BNDES teve queda de 3,22%, para R$ 12 bilhões, na aprovação destes financiamentos. No primeiro trimestre, antes que os juros do programa subissem de 4% para
6%, a procura foi mais intensa.

Na área de máquinas agrícolas e rodoviárias, a queda foi de 18,9% nas vendas de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período de 2013.

MENOR NÍVEL DE EMPREGO

No segmento de automóveis, as medidas do governo para elevar a oferta de crédito ainda não trouxeram alívio. Em agosto, as montadoras registraram queda de produção, vendas e emprego
(neste caso, pelo décimo mês, atingindo o menor nível desde maio de 2012). Os estoques, que eram equivalentes a 39 dias em julho, subiram para 42 dias.

Luiz Moan, presidente da Anfavea, disse que alguns bancos voltaram a oferecer financiamento em até 60 meses, contra a média atual de 24 meses. Em relação a agosto de 2013, as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caíram 17,2%, e a produção recuou 22,4%, totalizando 272,5 mil unidades.

No ano, foram produzidos 2,1 milhões de unidades, queda de 18% ante igual período de 2013. Os licenciamentos caíram 9,7%. O emprego no mês recuou 0,9%, equivalente à demissão de mil
empregados. No ano, os cortes somam quase nove mil postos.

— O mês ficou abaixo das expectativas iniciais, mas esperamos um segundo semestre melhor — disse Moan.

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