Helicoverpa também ataca na 2ª safra em Mato Grosso
7 de maio de 2014

Assim como há um ano, a presença da lagarta Helicoverpa armigera na segunda safra volta a pôr em risco a sanidade vegetal e a lucratividade da agricultura mato-grossense, como também, ser a principal ameaça à safra 2014/15, que começa a ser cultivada com a soja, a partir da segunda quinzena de setembro, após o fim do período de proibição de soja verde, o Vazio Sanitário. Como em maio do ano passado, a presença da praga no milheto, vai fazendo do cultivo o vilão do período, até porque, os tratos culturais dispensados, não se compraram ao nível de investimento que é feito em opções ‘mais nobres’ como o milho e o algodão.
O novo alerta contra a praga vem novamente da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Estado, que aponta que a praga não apenas está presente no campo, como pior, se estabelecendo sobre as pontes verdes que vão se formando até o próximo ciclo. Na última segunda-feira, um registro in loco da Comissão mostrou que a densidade populacional de lagartas em uma área no sudeste do Estado foi a maior já observada desde que a Helicoverpa foi confirmada em Mato Grosso, no início do segundo semestre do ano passado. “Coletamos amostras de plantas com até 10 lagartas por metro quadrado. Desde Querência, município ao leste de Mato Grosso, em maio de ano passado, não mais tinha visto tamanha densidade populacional de Helicoverpa armigera. Mas nessa área de Primavera do Leste encontramos um número ainda maior da praga”, exclama o coordenador da CDSV, Wanderlei Dias Guerra. Ainda conforme o fiscal federal do Mapa há registros de infestações de Helicoverpa no milheto em várias áreas do Estado.
Ele lembra que cultivo de Querência (a cerca de 900 quilômetros de Cuiabá, no nordeste do Estado), no ano passado, foi um dos principais responsáveis pela multiplicação da praga na entressafra. “E por isso há toda uma preocupação nossa em relação a nova safra”.
Ele destaca ainda que apesar da alta população encontrada nesta área de milheto em Primavera do Leste (239 quilômetros ao sudeste de Cuiabá), ao lado existem plantações de milho onde a praga não foi encontrada, possivelmente por ser algum material transgênico com tecnologia Bt.
“É possível que a preferência pelo milheto seja muito maior que para o milho, o que tornaria o milheto como importante cultivo isca. Esperamos que o produtor tenha usado a área em questão com este intuito, ou então, numa ideia genial, esta área de milheto tenha sido usada como área de refúgio (proteção) da tecnologia Bt no milho, o que não acredito. Do contrário tomara, ele {o dono da área infestada} perceba em tempo o verdadeiro criadouro de Helicoverpa armigera em sua propriedade e faça o adequado controle. Caso não seja área de refúgio, o produtor poderia fazer uso de produtos biológicos à base de vírus, ou do próprio Bt. O importante é que adote alguma forma de controle, vez que encontramos lagartas de todos os ínstares o que indica populações plenamente estabelecidas. Se ele nada fizer, certamente terá a praga sobrevivendo em alguma ponte verde (plantas vivas na entressafra) como o próprio milheto e esta chegará causando danos logo no estabelecimento da lavoura de soja como já vimos na safra atual”. O milho Bt é uma variedade geneticamente modificada, na qual foram introduzidos genes específicos da bactéria de solo, Bacillus thuringiensis (Bt), que promovem na planta a produção de uma proteína tóxica específica para determinados grupos de insetos. Assim, o milho Bt é uma cultivar de milho resistente a determinadas espécies de insetos sensíveis a essa toxina, podendo ser mais resistente às lagartas.
A forte presença da lagarta no milheto também tem registros em Minas Gerais e no Piauí.
A LAGARTA – Desde a confirmação da presença da lagarta Helicoverpa armigera na safra passada, em Mato Grosso, ela segue se multiplicando e temida pela voracidade, difícil combate e amplo cardápio. Como destaca Dias Guerra, soqueiras de algodão mal destruídas, plantas guaxas de milho e de soja (plantas que se desenvolveram a partir de grãos que ficaram no solo) e lavouras de milheto na entressafra são os principais motivadores da ocorrência precoce da lagarta. “O ideal é combatê-la nos primeiros ínstares (etapas de seu desenvolvimento), mas como nessa área de Primavera do Leste, por exemplo, vimos populações plenamente estabelecidas o que dificulta e onera ainda mais o controle a partir de agora”.

Fonte: Diário de Cuiabá

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