Conselho da ALL aprova proposta de fusão com a Rumo Logística
17 de abril de 2014

O conselho de administração da América Latina Logística (ALL) deu sinal verde para que a empresa se associe à Rumo Logística Operadora Multimodal, administrada pela Cosan. A proposta havia sido encaminhada em 24 de fevereiro e foi aprovada nessa terça-feira (15).
 
Com o resultado, os órgãos de administração da ALL e da Rumo firmaram, na mesma data, o protocolo de justificação de incorporações das ações de emissões da ALL pela Rumo, informou a América Latina em fato relevante. A Cosan é a maior produtora e exportadora de açúcar e etanol do Brasil.
 
 
Uma assembleia dos acionistas da ALL ainda deve ser convocada em até 30 dias para avaliar a incorporação de ações. Pela proposta, a Rumo deve ficar com 36,5% das ações da companhia resultante da união, enquanto a ALL com outros 63,5%.
 
 
Caso aprovada, a associação também precisa ser avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), bem como por outros órgãos da administração pública cujas autorizações prévias são necessárias.
 
 
Produtores rurais veem a fusão com desconfiança e argumentam que ela pode refletir na perda de espaço para os grãos nos vagões dos trens da ALL. Em Mato Grosso, seguiram em direção aos portos pelos trens 14 milhões de toneladas de soja e milho no último ano.
 
 
Em manifestação apresentada ao Cade ainda em fevereiro deste ano, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do país (Aprosoja Brasil) diz que “haveria o risco de que o controle da logística ferroviária fosse utilizado não só para dominar o mercado de açúcar, como também de toda a exportação agrícola, particularmente da soja e do milho”.
 
 
 Segundo a entidade, com o açúcar concorrendo com outros itens agropecuários, como a soja e o milho, cada tonelada transportada pela concessionária ALL de um produto representaria uma tonelada a menos de outros produtos.
 
 
“Caso a motivação da Cosan seja, de fato, o domínio mais amplo do mercado de açúcar (horizontal e verticalmente), isto se daria às custas e pelo sacrifício do escoamento e exportação de outros produtos”, aponta a entidade em seu documento ao CADE.
 
 
Riscos de monopólio também são elencados no documento, com a Rumo utilizando-se dos contratos com a ALL para intermediar, ela própria, a contratação do transporte ferroviário de grãos, argumenta a associação. Caso aprovada, a fusão entre entre as empresas deve resultar na criação de uma empresa do setor de logística avaliada em R$ 11 bilhões.

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