Produtores farão manifesto para garantir entendimento com multinacional em Lucas
9 de abril de 2014

Chamar a atenção da diretoria para os custos de produção de frangos e suínos e melhorar os preços pagos aos produtores de proteína animal em Lucas do Rio Verde e região. Essa é a proposta da Associação dos Produtores de Proteína Animal que anunciou que adotará algumas medidas para pressionar a multinacional de alimentos instalada no município a rever os valores pagos aos produtores.

Em conversa com a imprensa na tarde desta segunda-feira, o presidente da APPA, Carlos Capelleti, afirmou que os produtores não têm condições para manter a atividade. Segundo ele, a maioria se vê obrigada a tirar dinheiro do bolso para o custeio das granjas. Levantamento feito pela entidade aponta que o custo ambiental é alto e o repasse da empresa não tem aliviado a vida financeira. “É uma série de situações que o produtor vem carregando”, lamenta Capelleti, lembrando que os produtores da região de Lucas atendidos pela unidade da empresa estão entre os primeiros em termos de produção, preço e qualidade das cidades onde a multinacional está instalada. “Temos resultados muito bons e com custos muito menores para a empresa”, assinala.

Em 2009, produtores e a empresa fizeram aditivo de viabilidade do projeto. Foram estabelecidos três quesitos, como o pagamento do financiamento, a manutenção dinheiro em conta, e o custeio. Segundo a APPA, a operação deveria pagar todo o custo de produção, do financiamento e do capital investido. “Mas não é isso que está acontecendo. Hoje a gente está com déficit grande e os produtores que vinham tirando (dinheiro) do bolso, não estão mais arcando com a situação”, revela. Desde o ano passado os produtores têm tentado negociar com a empresa, o que aconteceu em fevereiro. “Mas a gente não chegou a um entendimento”, ressalta o presidente da APPA.

Entre as ações definidas pelos produtores em assembleia realizada no início do mês, estão a redução da carga de trabalho dos empregados e o não recebimento de insumos e carregamento de aves e suínos no período noturno, prática comum até então. As duas medidas vão representar redução significativa na área trabalhista, onde os produtores evitarão o pagamento de horas extras.  Outra decisão foi suspender, no próximo dia 23, novos alojamentos de suínos e aves até que haja o entendimento sobre os novos custeios. “Ou nós vamos disponibilizar todas as granjas para a BRF tocar até o final do financiamento”, anunciou o presidente, ressaltando que uma paralisação da atividade não é bom, nem para os produtores e para a empresa. “Há investimentos de ambas as partes e isso prejudicaria a ambos. O melhor é achar um custo real e colocar na mesa e fazer o acerto”, prevê.

Durante a exposição das dificuldades enfrentadas pelos produtores, o presidente observou que a empresa alega que o custo de produção deve ser o mesmo da região sul, onde mantém o mesmo tipo de negociação com produtores. Entretanto, Capelleti lembra que a realidade matogrossense é diferente da vivida nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde há isenção de impostos e redução nas tarifas de energia. “A falta de mão de obra aqui faz com que as contratações sejam mais caras que as feitas no sul, fora os insumos”, reclama. “Não tem como implantar um sistema comparado com o sul com uma realidade totalmente diferente da que vivemos em Mato Grosso, sendo que a própria BRF tem um custo diferenciado aqui, porém, a menor, que é o custo do milho, do farelo de soja. Tem que se ajustar essa relação”, apontou.

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