Venda avulsa tem restrições
14 de março de 2014

Não é mais tão fácil comprar gasolina ou outros combustíveis em pequenas quantidades para o socorro do veículo que sofreu uma pane seca ou para equipamentos como motosserra. Por medida de segurança, os postos estão proibidos de vender combustíveis em garrafas plásticas ou saquinhos, embalagens que serviam de quebra-galho nos casos de emergência.

 
Uma resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece que somente recipientes certificados pelo Inmetro podem ser usados para esse fim. O estabelecimento flagrado vendendo o produto fora do tanque de forma incorreta será penalizado com multa que pode variar de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.

Para ser socorrido dentro da lei, o consumidor precisa ter em mãos bombonas apropriadas. Ou seja, deve comprar a embalagem. Os próprios postos a vendem. Mas ela não é um artigo disponível, por enquanto, em todos os estabelecimentos.

Atualmente, mais de 50% dos postos de Caxias possuem o galão, conforme o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, de Empresas de Garagem, Estacionamento, de Limpeza e Conservação de Veículos e Lojas de Conveniência de Caxias do Sul e Região, Paulo Tonolli.

Os dois primeiros meses do ano foram os mais críticos, quando a resolução ainda era novidade e os estabelecimentos não dispunham das bombonas. Eles não são obrigados a ter os recipientes. No entanto, correm o risco de perder o cliente caso não os disponibilize.

– Como houve uma demanda muito grande em janeiro e fevereiro, os fornecedores não estavam conseguindo fazer entregas das solicitações. Então, tinha posto que não tinha essa embalagem para vender. Até o final de fevereiro havia muito dificuldade de se conseguir o produto e ainda se tem – comenta Tonolli.

As bombonas de 5 litros, as mais comuns, podem ser adquiridas a preços que variam de R$ 9,90 a R$ 15. Os valores também aumentam, seguindo a lei da oferta e procura. Se no mês passado um vasilhame custava R$ 12, nesse já está R$ 15. O produto falta no mercado não só em razão de que é preciso ter certificação do Inmetro: empresas que possuem a homologação das embalagens atendem também a clientes de outras atividades que lidam com produtos químicos. Uma das fabricantes, de Bento Gonçalves, por exemplo, destina apenas 1% da produção para o mercado de combustíveis porque não tem capacidade para suprir a todos os pedidos.

Produto falta no mercado

Os comerciantes já estão acostumados a lidar com a indignação dos clientes que desconhecem a lei. Ao saber que precisam comprar um recipiente para abastecer fora do tanque, eles costumam ficar aborrecidos. Para evitar malentendidos, o proprietário da Abastecedora de Combustíveis Ibiza Ltda, Paulo Machado, expôs a resolução da ANP.

– Peguei a legislação, fiz uma cópia e pus no mural da frente. Porque uma vez era normal o pessoal chegar com uma garrafa de refrigerante de dois litros, mas agora isso acabou. Eu mostro a legislação e mostro o galão, digo que só podemos vender neste galão – relata Machado.

Ele alerta para as ofertas de embalagens, por parte de fornecedores, que não são certificadas.

– Tem muitos galões em que não consta a autorização do Inmetro. Dá para ver pelas discrepâncias de preço. Recebi ofertas de outras cidades. Eles telefonam, mandam amostra – explica Machado.

Gerente de área da Rede Sim da região de Caxias, Alberto Nicola diz que encontrar fornecedores do recipiente é uma dificuldade:

– A informação que tenho é que, devido a essa demanda, os preços aumentaram. A gente que compra em larga escala está tentando negociar preço melhor. Porque se comprarmos com o preço atual, os clientes vão berrar. Procuramos fornecedores que tenham produto de qualidade por um preço justo.

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