Especialistas alertam sobre a chegada antecipada da ferrugem da soja
5 de dezembro de 2008

O plantio de soja coloca novamente em pauta a maior preocupação dos sojicultores brasileiros: a ferrugem asiática, doença que pode comprometer a produtividade das lavouras em mais de 80%. Para a safra 2008/2009, especialistas na cultura prevêem a chegada antecipada da doença devido ao clima, que estará favorável à propagação dos esporos, como também devido a grande quantidade de soja tigüera (plantas voluntárias que germinaram a partir de grãos perdidos na colheita e que vegetaram espontaneamente até o inicio desta safra), que é uma importante fonte de inóculo do fungo da ferrugem. 
      
Por esses fatores, a pressão da ferrugem deve ser maior do que na safra passada e os produtores devem estar preparados para evitar uma epidemia da doença. "Nas duas últimas safras, não ocorreu o problema da soja tigüera e o clima foi um pouco mais seco. Outro ponto que poderá ser favorável ao aparecimento antecipado é a forte presença da doença nas lavouras bolivianas, que poderão ser trazidas pelo vento para as lavouras do Mato Grosso", explica o fitopatologista do Programa Consultoria Agrícola, Tiago Vieira Camargo. 
      
Além disso, a diminuição do uso de fertilizante previsto para esta safra, principalmente o potássio (K), poderá deixar a soja menos nutrida e mais suscetível ao ataque da doença. "Sempre que uma doença tem sua chegada antecipada, principalmente uma que se dissemina pelo vento e recobre uma grande área plantada, é possível que haja uma alta incidência e severidade durante a safra, causando assim perdas significativas ao produtor e a sojicultura brasileira", destaca o pesquisador Marcos Massamitsu Iamamoto. 
      
Os especialistas alertam sobre a importância de capacitar suas equipes de campo para o monitoramento da doença. "O ponto-chave para esta safra, no que se refere ao controle da ferrugem da soja, é capacitar seus profissionais para que eles possam detectar e indicar o melhor momento para a aplicação de fungicidas, no momento mais adequado e com os produtos corretos. Além disso, deve ser respeitado o período residual de cada produto, em função da pressão da doença (é uma decisão muito técnica) e que pode ser o limite entre o sucesso ou a perda de produtividade durante a safra", ressalta Camargo. As informações são da Bayer CropScience e foram divulgadas pelo boletim Paraná Cooperativo, da Ocepar-Sescoop/PR. (AB) 

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