Produtores gaúchos compram produto ilegal no Estado de fora do país para combater a helicoverpa
22 de fevereiro de 2014

Produtores rurais de Dilermando de Aguiar, no Rio Grande do Sul, afirmam que os produtos para combater a lagarta Helicoverpa armigera disponíveis no Brasil não estão funcionando e, por isso, precisam trazer a substância de fora do país. Em entrevista ao programa Mercado e Companhia desta sexta, dia 21, o agricultor Júlio Cesar Trevisan confirma que vários produtores da região estão comprando benzoato de emamectina do Uruguai.
Entenda

O benzoato de emamectina teve sua importação liberada apenas para os Estados e municípios brasileiros que obtiveram a declaração de emergência fitossanitária do governo federal. O Rio Grande do Sul não está nessa lista, que inclui Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Oeste da Bahia, Minas Gerais, Goiás e Piauí. No dia 15 de janeiro deste ano, o Ministério da Agricultura publicou a Portaria nº 31, que altera algumas condições vigentes na Portaria 1.309, que trata da importação emergencial e temporária de produtos químicos que tenham como ingrediente ativo o benzoato.

A publicação vigente ressalta que, para a importação, é necessário o registro ou a atorização expedida pelo Mapa e o registro do estabelecimento do importador no órgão competente do Estado ou no Distrito Federal.

Segundo a portaria, para importar o produto, o interessado deve apresentar solicitação de autorização de importação junto ao setor competente da Superintendência Federal do Ministério da Agricultura do Estado onde estiver ocorrendo a emergência fitossanitária.

A Portaria 1.109 está vinculada ao decreto 8.133 da Presidência da República e define as medidas que devem ser adotadas para controle da lagarta helicoverpa. Além da importação emergencial e temporária do agrotóxico, estão práticas agrícolas promovidas pela Embrapa como uso de cultivares que restrinjam ou eliminem as populações da praga; respeito ao período de vazio sanitário para deixar a terra sem cultivo e livre de hospedeiros; restrição ao cultivo sucessivo de uma mesma cultura; e Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Segundo a publicação, a liberação temporária de importação do benzoato de emamectina vale para produtos não registrados no Brasil que sejam autorizados para culturas similares em pelo menos três países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As propriedades que utilizarem a substância devem ser acompanhadas por fiscalização.

Alguns produtores de Estados que têm registro de emergência fitossanitária e contabilizam prejuízos bilionários nas lavouras, no entanto, ainda não conseguiram obter agroquímicos que contenham benzoato de emamectina. Em outros casos, impasses judiciais marcam os processos de obtenção da substância. É o caso de Mato Grosso, onde o Ministério Público Federal recomendou ao Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) que não autorize a aplicação de benzoato devido ao risco à saúde humana. No dia 16 de janeiro deste ano, o MPF, então, instaurou um inquérito civil público "para fiscalizar a utilização de agrotóxico nas áreas produtoras de Mato Grosso incluídas na declaração de emergência fitossanitária emitida, em especial aqueles com o princípio ativo benzoato de emamectina". Em Minas Gerais, o produto foi proibido nesta semana.

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