Perda de safra com chuvas pode elevar preços do arroz e feijão
4 de dezembro de 2008

Fundamentos de mercado apontam para uma alta nos preços do arroz já no início de 2009. A retração da oferta interna, prevista com a abertura do mercado internacional para o produto brasileiro, será reforçada pela quebra de safra em Santa Catarina, segundo maior produtor da cultura no Brasil.

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), a safra de arroz no estado terá queda de 15% (165 mil toneladas) e prejuízo de R$ 96 milhões. No Rio Grande do Sul, onde é produzido 60% do arroz consumido no País, é a seca que pode comprometer a produtividade de 30% da safra.

Mesmo diante de um cenário que favorece a elevação dos preços internos, os rizicultores da Região Sul mantêm suas atenções voltadas ao mercado internacional. De acordo com Maurício Fischer, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), foram as exportações que deram sustentação aos preços na safra 2007/2008.

- Após muitas safras conseguimos um preço acima do custo de produção - disse.

- Vendemos em 50 países e a pequena, média e grande indústria teve oportunidade - destacou.

Os estoques de passagem de arroz no País são da ordem de 1 milhão de toneladas, que segundo Fischer dariam para um mês de consumo. Apesar de ser o menor volume dos últimos anos o presidente do Irga acredita que o abastecimento do mercado interno será tranqüilo.

Os produtores não deverão abrir mão de buscar a consolidação do mercado externo e da meta de exportar 10% da safra 2008/2009. O objetivo está atrelado ao fato de que na decisão do plantio o arroz custava R$ 36 a saca, em média, e hoje é comercializado a R$ 31 a saca.

A reversão nos preços também é motivo de preocupação para os produtores de feijão. Apesar de Santa Catarina representar apenas 5,5% da safra nacional os agricultores esperam que as perdas na região influenciem a alta dos preços. A queda na cotação do feijão carioca ao longo de 2008 foi significativa.

O produto que chegou a custar mais de R$ 200 a saca hoje é comercializado a R$ 80, em média. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), inclusive, começou a aplicar essa semana R$ 16 milhões na compra de até 12 mil toneladas de feijão.

- Acredito que os efeitos nas cotações, tiverem, serão pequenos e poderá aliviar um pouco a queda, mas não inverter a tendência, a não ser que outros estados também tenham problemas com o excesso de chuva - avaliou Élcio Bento, analista da Safras & Mercado.

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