Gasolina pode ser reajustada em mais 6%, diz Lobão
11 de outubro de 2013

 A gasolina pode sofrer um novo reajuste de 6% quando o governo decidir alinhar os valores cobrados no país aos do mercado internacional, afirmou ontem o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. De acordo com o ministro, a Petrobras pediu um aumento total de 13% este ano. Até agora, o produto já teve alta de 7%. Indagado se a próxima elevação atenderá ao pedido, disse à Reuters:  — Sim, a diferença é de 6%. 

 
O Globo

 
Cristiane Bonfanti e Marcello Correa


O ministro ressaltou que o governo não decidiu a data do reajuste. Para especialistas, o preço da gasolina na refinaria está 25% abaixo dos preços praticados no mercado internacional.


Elson Teles, economista do Itaú, trabalha justamente com um cenário de reajuste da gasolina de 6% nas refinarias e de 4% nas bombas, ou R$ 0,12 por litro, com impacto de 0,16 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado nas metas do governo). Nos cálculos de Teles, a inflação fechará o ano em 5,9%, com um aumento da gasolina em novembro.


Em setembro, a inflação medida pelo IPCA ficou em 0,35% e, com isso, recuou para abaixo de 6% no acumulado em 12 meses pela primeira vez no ano, influenciada pelas altas menores de preços administrados e pelo recuo dos alimentos. No ano, os administrados subiram só 0,01%, graças a uma queda de 16,78% nas tarifas de energia elétrica.


— São os administrados que estão segurando a inflação — afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.


‘O GOVERNO TEM QUE FICAR ALERTA’, DIZ MANTEGA


Para Silvia Matos, economista da FGV, com a trégua na inflação em setembro, este é o momento ideal para um reajuste do preço do combustível.


— A inflação existe, só está represada. É preciso aumentar logo (o preço da gasolina). O dólar vai voltar a pressionar (a inflação). O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) postergou a retirada dos estímulos à economia, mas sabemos que a retirada vai acontecer algum dia — disse.


Para Luiz Roberto Cunha, professor da PUC-Rio, o comportamento da inflação nos próximos meses dependerá da decisão do governo sobre a gasolina. Ele lembra que os alimentos, que deram um alívio em setembro, voltarão a subir.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ter ficado satisfeito com o resultado do IPCA, mas destacou que o governo federal não vai “descuidar” do controle de preços no país.


— O governo tem que ficar alerta para impedir que a inflação volte a subir e a atrapalhar o consumidor brasileiro — disse.


Mantega destacou que o índice é menor que o de setembro do ano passado e que o do mesmo mês de 2011 e que, portanto, isso “significa que a inflação está sob controle”. O ministro destacou, porém, que no fim do ano os preços sobem “um pouco”:


— Você tem entressafra. Tem regime de chuvas, mas vamos ficar dentro da normalidade.


Indagado, o ministro, que é presidente do Conselho de Administração da Petrobras, esquivouse de responder se o resultado do IPCA abriria espaço para uma alta do preço de combustíveis:


— Isso não é assunto nosso. É da Petrobras.

Fonte: SIndtrr

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