Mistura de biodiesel no diesel pode subir de 5% para 7%
27 de setembro de 2013

O pleito do setor de biodiesel para elevar de 5% para 7% a mistura desse combustível renovável na fórmula do diesel comum ganhou fôlego com a necessidade de reajuste de preços para reforçar o caixa da Petrobras. O resultado das vendas da companhia tem sido penalizado nos últimos meses pelo aumento do dólar e a ampliação da defasagem entre os preços domésticos internacionais. O descompasso se reflete também no déficit na balança comercial do País gerado pela importação de óleo e derivados. 


Jornal do Comércio/RS

 
"O governo passou a considerar o efeito para a redução das importações da Petrobras e para a balança comercial do País. O assunto saiu da Casa Civil e agora está no Ministério das Minas e Energia", disse uma fonte que acompanha as negociações.


No Planalto, um dos entraves para a mudança era o impacto para a inflação. Apesar de mais caro do que o diesel comum, o biocombustível está mais barato que o diesel importado pela Petrobras. A diferença, em alguns casos, passa de R$ 0,10 por litro, segundo a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).


A associação - cujo presidente, Erasmo Battistella, é sócio da Petrobras em duas usinas no Sul - defende que a tendência é de os preços se manterem vantajosos, com o atual patamar do dólar e das cotações de commodities. Um estudo da Fipe/USP indica que a produção de biodiesel (B5, com a mistura a 5%) economizou R$ 11,5 bilhões na balança comercial em importações de diesel.


A Aprobio diz que há hoje uma ociosidade de 60% no setor e a maior utilização depende de mudança no marco regulatório. A meta de 5% de mistura foi atingida em 2010, com três anos de antecedência. O marco regulatório expirou no fim do ano passado.


O mercado cogita para os próximos meses um reajuste no preço da gasolina. Já o aumento da mistura de biodiesel poderia servir como alívio às importações de diesel, combustível com maior impacto na receita da Petrobras.


O biocombustível é comprado pela Petrobras em reais. O aumento da mistura reduziria a necessidade de importação de diesel, feita em dólar, o que reduziria o déficit bilionário na conta petróleo. A Petrobras importou 68 mil barris por dia de diesel no segundo trimestre, o triplo do volume importado de gasolina. A Aprobio calcula que, caso a mistura de 7% estivesse em vigor, o Brasil teria importado 9% menos diesel de janeiro a maio deste ano e economizado US$ 376 milhões.


Frente Parlamentar ainda negocia com o governo federal


O deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, disse que o setor acordou em julho um período de trégua com o governo. O parlamentar aguarda a retomada das negociações para o início do próximo mês. "Esperamos uma reunião com o ministro (Edison) Lobão (das Minas e Energia) para o começo de outubro. O momento econômico é favorável. O aumento da demanda vai baratear ainda mais os preços", disse Goergen.


O dólar subiu de cotação desde que foram suspensas as negociações: estava abaixo de 2,10 em maio, passou para a banda até R$ 2,20 em junho e hoje oscila em torno dos R$ 2,30. O último leilão de biodiesel, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) em agosto, comercializou 525 milhões de litros do biocombustível, com preço médio de R$ 1,85 por litro. Usinas menos competitivas venderam o litro por até R$ 1,66. Com o dólar a R$ 2,30, o litro do diesel importado sai por R$ 1,89.


Um estudo da Fipe/USP indica que a produção de biodiesel (B5, com a mistura a 5%) economizou R$ 11,5 bilhões na balança comercial em importações de diesel. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) fez um estudo, encomendado pelo setor, mostrando que o impacto para a inflação na aplicação do biodiesel entre 2005 e 2010 foi insignificante. A Fipe calcula que o impacto em 2011 ficou em 0,037%.


A Petrobras Biocombustível planeja investir US$ 1,04 bilhão para ampliar a produção de biodiesel em seu plano de negócios para até 2017. A estatal opera três usinas próprias e duas em parceria com a empresa BSBios, presidida por Battistella. Uma fica em Marialva (PR) e outra em Passo Fundo (RS).

FOnte: Sindtrr

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