MT planta os primeiros hectares da nova safra nacional de soja
18 de setembro de 2013

Neste ano está difícil saber quem começou a plantar primeiro em Mato Grosso, afinal, as confirmações de que a nova safra de soja está ganhando corpo em Mato Grosso vêm de várias regiões do Estado: norte, sul e oeste de Cuiabá. A única certeza é de que o plantio se dá “no pó”, expressão que define o baixo (e inadequado) nível hídrico do solo. De qualquer forma, mais uma vez o Estado que é o maior produtor de soja, milho e algodão do país, dá a largada da nova safra nacional.

Conforme sondagem realizada pelo Diário, a oleaginosa está sendo cultivada em Nova Mutum e Lucas do Rio Verde (ao norte do Estado), em Sapezal (noroeste) e em Primavera do Leste e Campo Verde (ao sul). Conforme o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Nery Ribas, em Lucas, Primavera e Campo Verde, o cultivo se dá sob pivôs, ou seja, de forma irrigada. “Nenhuma região do Estado teve chuva boa até o momento. Há previsões de precipitações para esta semana, mas nada que traga o volume necessário. Mesmo assim, bastam algumas chuvas, ou apenas o fim do Vazio, para que o plantio seja iniciado por muita gente”.

Os polepositions mato-grossenses são em suma os grandes grupos, como Amaggi, Bom Futuro e Scheffer, que em razão da segunda safra com algodão que deve ser semeada até o início de janeiro. Por isso, é preciso plantar logo após o fim do Vazio para que o calendário permita lavoura de soja super precoce e precoce que dá lugar à pluma. A assessoria do Grupo André Maggi confirmou o início dos trabalhos em Sapezal no último domingo e antecipou que a partir de 1º de outubro começa o cultivo da soja no município de Querência (nordeste mato-grossense). O Grupo não divulgou as estimativas para o novo ciclo.

Mesmo de olho na safrinha com algodão, esses primeiros dias após o Vazio Sanitário vão servindo de uma espécie de laboratório a céu aberto para que as plantadeiras sejam reguladas e testadas pelos produtores, até que atinjam um nível de eficiência.

Mesmo com toda a ansiedade do momento que acaba empurrando o produtor de volta ao campo - também já retratada como “Tensão Pré-Plantio” – Ribas aponta que a entidade recomenda muita atenção neste momento em função do alto valor que se investe para fazer uma safra. “O momento atual, sem chuvas, e com precipitações esparsas como estão previstas, se revela de risco. Devemos ter um clima neste início de safra bem parecido com o do ano passado, alguns registros esparsos e depois um bom período de estiagem. Chuvas em quantidade boa devem vir somente a partir da segunda quinzena de outubro e quem está plantando agora verá a sojinha suscetível á falta de umidade por pelo menos 30 dias”, alerta.

Pressa - A necessidade em cumprir o calendário agrícola com safra e safrinha fez até com que alguns produtores ‘queimassem a largada’ e dessem início ao plantio antes do fim do Vazio Sanitário, como foi registrado em Nova Mutum (262 quilômetros ao norte de Cuiabá). O Instituto Nacional de Defesa Agropecuária (Indea/MT) está investigando três casos para confirmar as denúncias. Como o Vazio não permite plantas vivas de soja de 15 de junho a 15 de setembro, os sojicultores se utilizam da seguinte estratégia: plantam até dois dias antes do fim do Vazio para que no emergir da planta o Vazio tenha terminado.

A safra- De acordo com estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área plantada pode chegar a 8,27 milhões de hectares (ha), incremento anual de 4,9%.


Fonte: Diário de Cuiabá/Marianna Peres

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