Com algodão desvalorizado, clima é de incerteza em próxima safra de MT
25 de novembro de 2008

Autor: Só Notícias/Leandro J. Nascimento

As incertezas sobre a próxima safra de algodão em Mato Grosso continuam preocupando o setor produtivo. Se por um lado o término da semeadura da soja no Estado poderia entusiasmar os agricultores para um novo ciclo, agora não mais. A esta desmotivação somam-se fatores como os custos de produção, dificuldades no acesso aos créditos, a desvalorização, bem como outros.

Pelo calendário do Estado a safra 2008/09 de algodão tem o plantio iniciado em dezembro, logo após o término do vazio sanitário. Se as projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola se confirmarem, Mato Grosso o plantio pode reduzir em 27%, chegando a pouco mais de 386,4 mil hectares. Um ano antes, foram 530,6 mil.

Na semana passada, conforme indicou o Imea, os preços não deram sinais de grandes recuperações. “O que segue dando o mínimo de ritmo são as pequenas trocas, motivadas pela necessidade de capital de giro de alguns produtores em função dos trabalhos e manejo cultural da soja”, expõe o levantamento. Por outro lado, o instituto frisa que entre os fatores que estão limitando maiores negociações destaca-se a apreensão, por parte dos compradores, devido a possíveis quedas na demanda de produtos têxteis.

“Conforme as cotações da pluma no Brasil e na ICE/US se desvalorizam, a distância entre a receita e os custos de produção aumentam, logo a rentabilidade adentra cada vez mais em terreno negativo”, expõe o Imea. No cenário internacional, segunda-feira passada (17), as cotações da pluma sofreram queda de 192 pontos, praticamente devolvendo todos os ganhos acumulados na quinta-feira da semana anterior.

Análise semanal divulgada pelo instituto revela que “no âmbito técnico, o cenário não é dos melhores. As analises continuam apontamento para a manutenção de baixas. Os temores e incertezas trazidas pela crise financeira a respeito da demanda mundial, também vêm colaborando com estas quedas que acumulam desde a máxima do ano de US$c92,86 em 5 de março, 56,5%.

No que se refere à diminuição de área entre as diferentes regiões, conforme levantamento divulgado este mês, a Médio-Norte sofrerá o maior impacto. Na próxima safra agricultores devem reservar pouco mais de 55,3 mil hectares. Por outro lado, na safra passada, foram 100,7 mil hectares. O Noroeste, de acordo com a estimativa, queda de 25%. De 12,9 mil hectares cultivados em 2007/08, deve somar 9,6 mil hectares no ciclo seguinte.

O Imea acena que no Centro-Sul a área deve encolher também em 25%. Enquanto em 2007/08 produtores plantaram 45,6 mil hectares, a próxima safra deve somar 34,1 mil hectares. Oeste e Sudeste podem contabilizar redução de 23%, cada. No Nordeste, 22%.
A redução apresentada pelo instituto para Mato Grosso supera a previsão divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acenou entre -6% e -14%.


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