O futuro incerto dos biocombustíveis no país
22 de julho de 2013

Este desempenho é ainda mais estranho quando se considera o aumento da frota de veículos flexfuel, que representou mais de 90% das vendas de automóveis leves desde 2007.
 
 
É inexplicável o fato da gasolina e do diesel terem ficado isentos do pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Só com a gasolina o governo deixou de arrecadar R$ 22 bilhões desde 2008.
 
 
Essa desoneração provocou perda de competitividade, redução de investimentos no setor, sem falar na parcela que era destinada as prefeituras.
 
 
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da U.S. Energy Information Administration (EIA), nos últimos cinco anos, a produção de etanol de cana no Brasil cresceu 29%, enquanto nos EUA, o salto foi de 185% no etanol de milho.
 
 
Em 2000, as usinas americanas fabricavam apenas 57% do volume das usinas brasileiras. Em 2011, a produção de etanol norte-americana representou mais que o dobro da brasileira, 230%.
 
 
Com o baixo crescimento da produção, o Brasil foi ultrapassado pelos EUA na liderança do setor. Qual a receita do sucesso americano? Previsibilidade. Até 2022, o governo norte-americano se comprometeu, por lei, a comprar 136 bilhões de litros de etanol, a US$ 1,07, reajustado anualmente.
 
 
Para o Brasil voltar a liderar o mercado dos biocombustíveis é fundamental o crescimento da produtividade, que infelizmente está sendo prejudicada pela a adoção da política do stop-and-go. As idas e vindas do governo geram custos para a indústria, que deixam de melhorar a tecnologia.
 
 
Portanto, se o crescimento do mercado dos biocombustíveis tivesse sido contínuo, estaríamos em outro patamar de produtividade.
 
 
O governo parece não se dar conta de que a falta de políticas públicas capazes de garantir a previsibilidade inibe os investimentos e o crescimento da produtividade. O que falta é um marco regulatório estável, baseado na política da previsibilidade.

FONTE: CENARIO MT

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