Embrapa e ministro debatem novo projeto que "tem tudo a ver com agricultura"
28 de junho de 2013

A integração de esforços em torno da consolidação da bioeconomia no Brasil foi a decisão conjunta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), reunidos nesta quinta-feira (27) em Brasília.

O ministro Marco Antonio Raupp convidou a empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a integrar as discussões no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) que vão dar origem uma proposta de programa para a área e a uma proposta para a estruturação dos grandes laboratórios nacionais nessa temática. Ambas serão apresentadas à presidenta Dilma Rousseff, que preside o colegiado.

“Trata-se de juntar forças”, disse o ministro, apontando a área como uma das três que serão fundamentais ao futuro do país, ao lado de tecnologias de materiais e nanotecnologia e de tecnologias da informação e da comunicação (TICs).

Na conversa, que teve a participação do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério, Carlos Nobre, e do chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Mauro Coelho, o titular do MCTI avaliou que é importante a participação da Embrapa no planejamento da política de inovação como um todo. Ele comentou que a pasta que comanda tem exercido, cada vez mais, um papel transversal em políticas do governo federal, a exemplo do Plano Inova Empresa.

“Essa agenda tem tudo a ver com a agricultura, que é hoje um dos pilares da economia brasileira – responde por um quarto dela”, disse o presidente da Embrapa, Maurício Lopes. “A inovação é o motor dessa agricultura.”

Bioindústria
Lopes considerou que a grande questão hoje reside menos em que biotecnologia apostar, e mais em que ramo da bioindústria investir. A seu ver, o fortalecimento dessa vertente industrial é o caminho para descarbonizar parte da economia brasileira – ou seja, torná-la menos vinculada a atividades que aumentam as emissões de gases de efeito estufa. Para ele, a biomassa desponta claramente como a área em que o Brasil se destaca pelas vantagens competitivas.

“Se surgir uma indústria possante de biomassa, vai florescer no Brasil como em nenhum outro lugar. Pela logística que nós temos, pela extensão de área, pelos solos, pelo sol que chega ao nosso território”, argumentou.

“As usinas de cana que hoje fazem etanol e açúcar, com o avanço das tecnologias de chamada segunda geração, vão poder destilar de biomassa muito do que hoje se destila do petróleo. Em 15 anos serão biorrefinarias, e no entorno delas vai surgir uma agricultura voltada ao fornecimento de matéria-prima, para transformação nas mais variadas coisas.”

A intersecção entre o setor de sementes e a biotecnologia é outra frente apontada como estratégica pelo dirigente. “Esse mercado é mundialmente dominado hoje por seis ou sete empresas, e a tendência é se concentrar na mão de três ou quatro”, observou. “Como salvaguarda, para garantir a diversidade e poder atuar em frentes como sustentabilidade e adaptação a mudanças climáticas, é importante ter o setor público inserido. Dominar essas tecnologias e ter entes públicos operando na área.”

No que diz respeito ao enfrentamento das questões do clima, ele citou a parceria entre a empresa e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o desenvolvimento de plantas resistentes às novas condições.

Experiência coreana
Maurício Lopes lembrou que a Embrapa mantêm estruturas laboratoriais de diversas especialidades, a exemplo do Laboratório Multiusuário de Química de Produtos Naturais, em Fortaleza, inaugurado em setembro.

Ele mencionou, como experiência em que se espelhar, a abertura de laboratórios pelo governo sul-coreano – “os melhores do mundo” – a atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de empresas que competem no mercado global.


Fonte: Pedro Biondi/assessoria

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