Pré-sal será instrumento anticíclico contra crises, diz Tolmasquim
18 de novembro de 2008

SÃO PAULO - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que a exploração das reservas do pré-sal do litoral brasileiro serão um importante instrumento de política anticíclica para combater crises econômicas através do investimento na indústria nacional.


"São investimentos enormes que, se direcionados para a economia brasileira, serão um poderoso elemento anticíclico da crise, no sentido de utilizar mais a indústria nacional", afirmou Tolmasquim, que participou do XII Congresso Brasileiro de Energia, promovido pela Coppe/UFRJ, no Rio de Janeiro. "Quanto mais puder ser feito pela indústria nacional, maior será o processo de combate à crise estruturalmente", completou.


O executivo fez questão de frisar que a exploração das reservas do pré-sal são viáveis no longo prazo, independentemente da oscilação dos preços do petróleo. Apesar de ter volumes recuperáveis oficialmente estimados entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo equivalente em Tupi e entre 3 bilhões e 4 bilhões de barris de óleo equivalente em Iara - os dois únicos prospectos com estimativa oficial até o momento - a área do pré-sal suscita projeções de que pode conter até 80 bilhões de barris, segundo o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ou até mesmo 150 bilhões de barris, estimativa dada pelo ministro de Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em Nova York.


"O pré-sal é viável. Não vou dizer o nível exato do preço, mas o pré-sal é uma atividade para os próximos 50 anos no Brasil. Não tenho dúvida de que o preço do petróleo neste período é suficiente para viabilizá-lo", destacou Tolmasquim.


O presidente da EPE acrescentou que a produção de óleo no pré-sal mudará a posição geopolítica do Brasil, que passará a ser um importante exportador de petróleo e derivados.


"O Brasil será um ator muito importante no mundo em termos de petróleo, pois é uma democracia com regras muito claras, que terá uma quantidade de petróleo muito grande para exportar", disse.


Tolmasquim ponderou que a comissão encarregada de produzir um estudo sobre o novo marco regulatório para o setor de petróleo no país deverá apresentar ainda este ano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conclusão dos estudos. Tolmasquim não confirmou se será possível fechar uma posição para entregar ao presidente já na próxima reunião.


(Rafael Rosas | Valor Online)

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