Plantio de algodão deve cair 40% por conta da escassez de crédito
18 de novembro de 2008

Depois de uma redução de 10% na área plantada com soja, a Famato (Federação da Agricultura de Mato Grosso) estima queda de até 40% no plantio do algodão, que começa em dezembro.

A escassez do crédito, de acordo com a entidade, acabou por reduzir ao mínimo a capacidade de investimento dos produtores.

O Estado de Mato Grosso responde sozinho por cerca de metade da produção de algodão em pluma do país. A cultura é quase integralmente financiada por operações de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), destinadas a exportadores e ancoradas em linhas externas que hoje se encontram suspensas.

As regiões de Rondonópolis e Sorriso, campeãs na produção agrícola, são as mais afetadas pela crise, mas toda a incipiente agroindústria do Estado sofrerá os efeitos de uma provável queda na produção.

"Para a soja, o prazo limite já venceu, e a redução de 10% está concretizada. No caso do algodão, resta pouco tempo para se evitar um reflexo ainda mais drástico", disse o presidente da Famato, Rui Carlos Prado.

Uma eventual redução de 40% na área plantada, na avaliação do diretor-executivo da Ampa (Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão), Décio Tocantins, seria uma "tragédia".

"A indústria têxtil asiática conhece a nossa pluma e tem suas máquinas ajustadas às características do produto. Se não tivermos produção suficiente, correremos o risco de perder esses mercados", afirmou.

Custo de produção

Para o diretor-administrativo da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso), Ricardo Tomczyk, a crise internacional chegou quando os custos de produção estavam em elevação.

"Em razão dos aumentos de custo de produção, nós necessitamos hoje de 49% mais recursos para fazer o mesmo plantio. A diferença, desta vez, é que quase não há crédito", afirmou Tomczyk.

Além das perdas em área plantada, o setor estima queda na produtividade, uma vez que o nível de tecnologia empregada no plantio teve de ser adaptado aos novos tempos. "Com menos defensivos e menos fertilizantes, é lógico que teremos menos produção", disse.

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