Pesquisa aponta que 39% dos alimentos em MT vem de outros Estados
17 de junho de 2013

Consumo de frutas, legumes, hortaliças e laticiìnios em Mato Grosso estaì estimado em 254,002 mil toneladas ao ano, sendo que 39% desse volume ou 93,016 mil toneladas provêm de outros estados brasileiros. Maior dependência local eì pelas frutas frescas: 58,459 mil toneladas o que significa que 53% saÞo importados de outras regioÞes do paiìs, principalmente SaÞo Paulo, Paranaì e Rio Grande do Sul. Com a vinda de 78 mil turistas para assistir aos jogos da Copa do Mundo da Fifa em 2014, o suprimento desses alimentos torna-se preocupante, considerando que os estados fornecedores desses produtos pereciìveis tambeìm seraÞo sede de jogos na mesma eìpoca e devem priorizar o proìprio consumo. ConstataçaÞo eì de um grupo de 6 pesquisadores da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), responsaìveis por um diagnoìstico da demanda de produtos e serviços para a Copa de 2014 em Cuiabaì, Vaìrzea Grande e demais cidades turiìsticas do Vale do Rio Cuiabaì. Pesquisa coordenada pelo economista Dilamar Dallemole foi entregue aÌ Secretaria Extraordinaìria da Copa (Secopa).

De acordo com os pesquisadores, a distância e elevado custo do transporte rodoviaìrio saÞo elementos que inibem o atendimento da demanda local. Para eles, somente em caso de excedente na produçaÞo haveria a disponibilidade desses alimentos para Mato Grosso. Outro problema apontado pelos pesquisadores estaì relacionado aÌ organizaçaÞo das feiras livres. Para eles, “o segmento de feirantes em Cuiabaì naÞo tem condiçoÞes de se organizar para atender uma demanda sem que haja apoio teìcnico e capacitaçaÞo dos agentes ao longo de toda a cadeia produtiva”.

A Feira do VerdaÞo (Terminal Atacadista de Cuiabaì) eì identificada como a principal fonte de abastecimento de hortifruti e responsaìvel pela distribuiçaÞo de mercadoria para as demais feiras de Cuiabaì e Vaìrzea Grande. Poreìm, o local onde funciona seraì ocupado por um estacionamento para atender o puìblico que comparecer aÌ Arena Pantanal. Novo Terminal seraì transferido ainda neste ano para uma aìrea localizada no Distrito Industrial de Cuiabaì e deve ocupar 70 mil metros quadrados, segundo o secretaìrio municipal de Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Elias Alves. Outro projeto dos gestores puìblicos para garantir o abastecimento de produtos pereciìveis eì a construçaÞo de uma Central de Abastecimento (Ceasa). Nomeado presidente da Ceasa Mato Grosso, Baltazar Ulrich comenta que alguns dos permissionaìrios do atual Terminal Atacadista de Cuiabaì poderaÞo migrar para a Central de Abastecimento, esclarecendo que o projeto seraì resultado de uma parceria puìblico-privada. “O investidor teraì que garantir o terreno e o projeto e o governo iraì assumir a parte de infraestrutura, ou seja, a terraplanagem”. Ulrich afirma que a intençaÞo eì fazer de Cuiabaì um centro distribuidor desses alimentos, atendendo os municiìpios do interior e outros estados da regiaÞo Norte do paiìs. “As frutas importadas poderaÞo vir direto da Argentina e Chile, por exemplo, sem passar por SaÞo Paulo”.

PrevisaÞo eì que a licitaçaÞo para construçaÞo do empreendimento seja realizada em setembro e totalmente concluiìda ateì dezembro de 2014. “Nossa obrigaçaÞo eì organizar a oferta de alimentos orgânicos para atender a Secopa a tempo dos jogos”. Investimento total previsto eì de R$ 150 milhoÞes. Estimativa do governo eì que 4 mil caminhoÞes passem pela Central de Abastecimento diariamente, que deve ocupar uma aìrea de 100 hectares, sendo 64 mil metros quadrados de aìrea construiìda, possivelmente aÌs margens da rodovia dos Imigrantes, na saiìda do Distrito Industrial ou no Rodoanel. Aleìm de regularizar a distribuiçaÞo de hortifrutigranjeiros, a construçaÞo de uma Ceasa estimularaì a produçaÞo desses

alimentos no Estado, avalia Ulrich. “Pretendemos instalar centrais de recebimento de produçaÞo de alimentos em cidades polo, como Juara, Sinop, Primavera do Leste, Tangaraì da Serra e Cuiabaì”. Controle sanitaìrio dos produtos pode ser feito em parceria com o Instituto de Defesa Agropecuaìria de Mato Grosso (Indea) e com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e ExtensaÞo Rural (Empaer).  “Iremos dobrar a capacidade teìcnica da Empaer, melhorando a assistência aos produtores e aleìm disso o governo aumentou o creìdito para agricultura familiar”.

 Na avaliaçaÞo do presidente da AssociaçaÞo dos Engenheiros Agrônomos no Estado de Mato Grosso (AEA/MT), JoaÞo Dias, haì um seìrio risco de desabastecimento momentâneo de alguns produtos pereciìveis no Estado em meados de 2014, quando seraì realizado o Mundial de Futebol. “A agricultura familiar do nosso Estado tem ofertado alimentos em quantidade sazonal e, sem opçaÞo, os atacadistas recorrem a outras regioÞes produtoras para manter os estoques e atender diariamente a demanda da nossa populaçaÞo”. Por isso, conclui, o acreìscimo de aproximadamente 80 mil pessoas em visita a Mato Grosso por um periìodo meìdio de 20 dias deve acarretar um consumo superior aÌ capacidade de abastecimento.

 Segurança alimentar- Aleìm de regularizar a oferta e distribuiçaÞo de hortifruti no Estado, outra medida que precisa ser trabalhada eì a rastreabilidade dos produtos agriìcolas, segundo Dias, por se tratar de uma medida de segurança alimentar. “As grandes redes de supermercados jaì apostam na implantaçaÞo de vaìrios programas de monitoramento, inclusive para rastrear e monitorar o uso de agrotoìxicos nas frutas, verduras e legumes”. Em Mato Grosso, a praìtica foi adotada pelo francês Michel Leplus. Proprietaìrio de uma aìrea de 35 hectares ocupada com uva em Nova Mutum, ele reserva 30 hectares para garantir a produçaÞo de 620 mil litros do suco Melina. No ano passado, com modificaçoÞes no sistema de manejo, ele aumentou a produçaÞo e garantiu uma meìdia de 35 toneladas de uva por hectare. “Temos a rastreabilidade da produçaÞo da uva, todo o passo a passo, desde o plantio de cada variedade, adubaçaÞo, poda, irrigaçaÞo, colheita e processamento”. Leplus diz que a principal vantagem eì para o consumidor, que pode desistir do produto ou comprar, de acordo com as informaçoÞes mantidas no roìtulo do produto.

 

Fonte: A Gazeta

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