O crédito rural ficou diferente
14 de junho de 2013

Foi com euforia que o setor recebeu os anúncios do Plano Safra feitos na semana passada pela presidente Dilma Rousseff. Serão R$ 136 bilhões para a agricultura empresarial com uma linha específica para o financiamento de armazéns privados , e outros R$ 21 bilhões, via Pronaf, com foco nos agricultores familiares.

Esse é o dinheiro que estará à disposição - ou mais, se assim os produtores precisarem, conforme ressaltou a presidente. Mas a composição que permite hoje essa liberação de crédito é bem diferente do que foi no passado, como mostra levantamento da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Até a década de 1980, o Tesouro Nacional era a grande fonte de recursos para financiamento agrícola. Para se ter uma ideia, em 1986, a participação era de 64,9%. Ao longo dos anos, porém, houve uma mudança de perfil e o crédito acabou se profissionalizando ou se privatizando, como define o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. Os bancos passaram a entrar com a maior parte do capital nos financiamentos de custeio e comercialização, com o governo fazendo a equalização das taxas de juros. Ou seja, cobrindo a diferença entre a taxa "reduzida" cobrada do produtor pelo financiamento e a taxa original.

Em 2012, o percentual de recursos do Tesouro usados nos Planos Safras havia encolhido para 0,1%. Em cifras, o dinheiro público gasto no ano passado para tornar viável os financiamentos foi de R$ 3,62 bilhões - o que equivale a 3% do total contratado do Plano Safra.

"O fato de o governo federal ter privatizado o crédito rural foi muito positivo, porque profissionalizou as operações. Mas quando há um anúncio do Plano Safra, as pessoas acham que aquele valor é todo de dinheiro público"  ressalta Luz.

Outra curiosidade da análise: em valores correntes, a maior quantia já liberada para o setor foi em 1979: R$ 140,01 bilhões - ou Cr$ 448,73 bilhões, na moeda da época.

 

Fonte: Zero Hora

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