Produtores ameaçam com retaliações em Mato Grosso
18 de novembro de 2008

Autor: Naíla Albuquerque

Retaliações comerciais. Estas são uma das medidas que os produtores rurais e entidades ligadas ao campo ameaçam adotar contra fabricantes cujos bancos estão apreendendo máquinas agrícolas devido à falta de pagamento. Dez mandados de busca e apreensão em fazendas mato-grossenses foram cumpridos somente na semana passada pelos bancos CNH (Case), John Deere e de Lage Landen Brasil (Massey Fergusson). A informação é do Diário de Cuiabá.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis e diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo Tomczyk, esta é apenas uma das possibilidades que estão sendo discutidas entre os agricultores. Outras medidas jurídicas, cujo teor não foi revelado, também estão sendo avaliadas.

Em outra frente, os produtores estão pedindo ainda e apoio político para tentar evitar novos problemas relacionados ao endividamento rural. As articulações estão sendo mediadas pelo ‘Comitê da Crise’, criado no último sábado, em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), pelas principais entidades ligadas ao campo, com o intuito de discutir alternativas à apreensão das máquinas agrícolas pelos bancos.

A primeira reunião do Comitê da Crise aconteceu em Cuiabá, entre representantes dos produtores rurais e os deputados federais Carlos Bezerra (PMBD) e Carlos Abicalil (PT). Segundo Tomczyk, a intenção foi mostrar aos representantes da bancada mato-grossenses em Brasília o “resultado (apreensão de máquinas) da inoperância do Ministério da Agricultura e das barreiras impostas pelo Ministério da Fazenda”.

A escolha dos deputados para ouvir o ‘desabafo’ da categoria se deve ao fato do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ser do mesmo partido de Bezerra, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ser correligionário de Abicalil. “Sabemos que, neste momento, eles (deputados) nada podem fazer contra as apreensões. Mesmo assim, precisamos do apoio deles para evitar problemas futuros e eles estão nos ajudando”, explica.

A busca e apreensão de máquinas foi adotada pelos bancos devido ao não pagamento da parcela da dívida rural repactuada pelos agricultores e vencida no mês passado. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) foi procurada para falar sobre a medida judicial adotada, mas a assessoria de imprensa da entidade, até o fechamento desta edição, não retornou a ligação ou passou qualquer informação sobre o assunto.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Ottoni Prado, avaliou a decisão dos bancos como precipitada.

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