Preços da agropecuária caem 0,85%
14 de novembro de 2008

Autor: Hoje em Dia

A queda de 0,85% nos preços agropecuários no atacado levou à desaceleração na taxa do IGP-10 (de 0,78% para 0,73%) de outubro para novembro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o retorno à deflação no preço da soja (de 2,49% para -2,91%) foi determinante para derrubar os preços no setor agropecuário atacadista.

O economista explicou que o acirramento da crise dos mercados internacionais levou a um recuo nos investimentos em commodities, como as agrícolas, que estão subindo menos ou até em queda, no exterior. Isso acabou por puxar para baixo o preço da soja no Brasil, assim como os de outras commodities. É o caso das quedas registradas nos preços de milho (-5,80%) e de café (-2,13%), por exemplo. “Mas o peso da soja é muito maior (no cálculo do IGP-10) e acabou por influenciar mais a desaceleração da inflação no atacado”, afirmou.

Outro fator que ajudou a reduzir a taxa do IGP-10 em novembro foi o comportamento dos preços siderúrgicos no atacado, que estão subindo menos (de 0,55% para 0,24%). O economista lembrou que, assim como as commodities agrícolas, o preço do aço também está em baixa no mercado internacional, devido à perspectiva de desaquecimento, que pode se acentuar no ano que vem, tendo em vista a atual crise dos mercados internacionais. Isso também ajudou a diminuir a inflação do setor atacadista, que passou de 0,98% para 0,81%, de outubro para novembro.

Segundo Quadros, o impacto do dólar alto sobre os preços de alguns itens no atacado começa a arrefecer. Ele informou que alguns produtos, cujos preços são relacionados direta ou indiretamente à cotação da moeda norte-americana, já apresentam taxas de elevação menos intensas. É o caso da desaceleração de preços registrada em celulose (de 13,20% para 4,36%). “O efeito do câmbio, na margem (do resultado dos índices), já não é tão forte assim”, afirmou.

Quadros comentou que o preço do dólar em novembro não está subindo tão fortemente quanto o registrado em outubro, quando os preços dos produtos relacionados ao dólar subiram muito. Além disso, o economista afirmou que muitos itens que estão mostrando trajetórias de aceleração de preços, impulsionadas pelo dólar em patamar elevado, devem apresentar taxas de inflação menos intensas nos próximos resultados dos índices inflacionários. É o caso de produtos químicos (de 4,23% para 2,73%); ácido nítrico (de 10,53% para 22,22%) e produtos químicos orgânicos (de 1,09% para 10,33%). “Muitos preços de produtos químicos, e da petroquímica, devem subir menos nas próximas apurações de índices. Com o preço do petróleo se reduzindo dessa maneira, não tem como os preços dos produtos petroquímicos continuarem a subir de forma intensa, por muito tempo”, afirmou.

De acordo com Quadros, a forte aceleração de preços das carnes bovinas (de 0,88% para 5,15%) levou à disparada da inflação do varejo, de outubro para novembro (de 0,10% para 0,49%. Ele afirmou que a arrancada no preço do produto foi o principal fator que levou ao fim da deflação de preços no grupo alimentação (de -0,44% para 0,91%). Esse grupo foi a principal influência para a taxa mais elevada de inflação junto ao consumidor, no período pelo fato de o preço da carne no mercado internacional ter subido muito.

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