Sistema produtivo consorciado ganha força em Mato Grosso
4 de fevereiro de 2013

A agricultura se especializa e com isso novos sistemas de produção estão sendo criados para auxiliar cada vez mais o homem do campo. Um deles é o sistema consorciado ou integrado de produção, que segundo especialistas trata-se de uma ferramenta agropecuária sustentável que adotada na propriedade otimiza recursos, gera renda e estimulam a preservação ambiental. Em Mato Grosso, por exemplo, a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Agrossilvipastoril, em Sinop (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está trabalhando com a Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (Pisa), projeto de transferência de tecnologia, com objetivo de levar produtor matogrossense conhecimento para a adoção dos sistemas integrados de produção.
Iniciado há quatro anos nos estados da região Sul do país, hoje o Pisa está presente também no Centro-Oeste e no Pará. Sendo que em Mato Grosso as pesquisas estão voltadas mais especificamente para a integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF). De acordo com o pesquisador
da Embrapa Sinop, Maurel Behling, os resultados são positivos nas Unidades de Referência Tecnológica em todo o país com diferentes configurações de sistemas agrossilvipastoris. Contudo, os sistemas integrados de lavoura-pecuária ainda são os mais utilizados devido ao plantio direto na palha. Sendo que o desafio agora inserir também o componente arbóreo como forma de produção de madeira, celulose ou frutos.
O desempenho dos animais e a produção de leite na integração lavoura-pecuária- floresta são algumas das características que estão sendo analisadas por pesquisadores em experimento instalado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop. O trabalho teve início em 2011, com o plantio das espécies florestais e da primeira safra agrícola. Agora, dois anos depois, o ensaio já conta com os primeiros animais.
Conforme o pesquisador, A iLPF é uma estratégia de produção em que se associam em uma mesma área os componentes agrícola, animal e espécies florestais, de maneira sucessiva ou alternada. “Trata-se de uma forma de produção sustentável, já que em um mesmo espaço pode se produzir grãos, fibras, carne, leite, madeira e frutos”.
De acordo com Maurel Behling, a iLPF apresenta vantagens em relação às culturas solteiras por questões técnicas, como a rotação de culturas. O que proporciona melhor ciclagem de nutrientes, melhoria nas características químicas e físicas do solo, controle de doenças, conforto animal, entre outras questões. Além do aspecto econômico, isso porque com diferentes fontes de renda, se tem menor vulnerabilidade, proporcionando maior segurança em relação às flutuações de preços.
No experimento da Embrapa Agrossilvipastoril que avalia a iLPF na produção leiteira, foram feitos três diferentes cenários. Em um deles os animais ficam o tempo todo em pasto sem sombreamento. Em outro, árvores plantadas nas bordas dos piquetes garantem sombra parcial. Já no terceiro arranjo, foram plantadas fileiras triplas de árvores a cada 15 metros, gerando sombra em meio à pastagem. A metodologia do Pisa implica, entre outras coisas, em redução de custos e em redução do uso de insumos por unidade de produto produzida. É um sistema que busca eficiência nos processos e diminuição do impacto ambiental. Mas tudo isto com resultado econômico, porque o produtor precisa viver daquilo que produz.

Fonte: A Gazeta

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