Mapa monitora ferrugem e a avalição é positiva
24 de janeiro de 2013

A incidência da ferrugem asiática nas lavouras de soja tem preocupado os produtores de Mato Grosso. O acompanhamento das entidades ligado ao setor  e do Ministério da Agricultura foi fundamental para evitar a proliferação da doença nas lavouras do estado. Mesmo assim, o trabalho de monitoramento ainda não terminou, já que há muita soja para ser colhida ao mesmo tempo em que aumenta o número de casos da ferrugem nas plantas precoces. Sobre o assunto, o Agrodebate entrevitou o coordenador de defesa vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wanderlei Guerra.
 
Confira a entrevista.Agrodebate - Qual é o cenário das lavouras de soja em Mato Grosso?
 
Wanderlei Guerra - Já rodamos a região oeste e agora vamos para o médio-norte. Mas já identificamos que a soja está 'lorando', como dizem os produtores, está amarelando uniformemente. Isso indica que o controle da ferrugem, ou outras doenças de final de ciclo, foi bem feito pelos produtores. Neste momento a situação é mais tranquila do que foi no ano passado.
 
Agrodebate - O Ministério da Agricultura está emitindo um terceiro alerta. Qual é a situação?
 
Wanderlei Guerra - É bom informar que o primeiro alerta foi feito entre 15 de junho e 15 de setembro,  e se tratava da identificação das plantas guaxas. No vazio sanitário do ano passado ocorreu muita chuva aumentando o número de plantas guaxas com ferrugem asiática. Nós então alertamos os produtores sobre a ocorrência  da doença precocemente na safra. O segundo alerta, feito no final de novembro, foi realizado o acompanhando da evolução da ferrugem a partir da planta guaxa que acabou servindo como planta indicadora. Após o alerta o produtor pode fazer o controle da lavoura. Isso foi fundamental para ter a situação atual confortável. Já no terceiro alerta, que está sendo feito agora, constatamos que em algumas lavouras as aplicações não foram feitas corretamente. Existe muita chance de que os esporos da doença, com a colheita, se disseminem para as lavouras vizinhas.
 
Agrodebate - Já é possível falar em prejuízos?
 
Wanderlei Guerra - Na região região de Sapezal, Sorriso e Campos de Júlio tem produtores colhendo até 20% de grão ardido. A gente sabe que as trandigs descontam tudo que tiver acima de 8% de grão ardido. Já existe esta situação e não é pouca. Não podemos estimar o prejuízo, mas já podemos prever que existirá uma queda na produtividade em função de grão ardido.
 
Agrodebate - Apesar de tudo, o produtor tem feito o seu trabalho?
 
Wanderlei Guerra - O produtor tem feito o seu trabalho. A resposta foi imediata quando soltamos o segundo alerta. No outro dia o produtor já estava pulverizando a lavoura no momento exato. Os produtores estão seguindo as recomendações. Felizmente estamos encontrando uma soja com boa qualidade e que se não fosse a chuva, o recorde que já esta estabelecido, seria ainda maior.
 
Agrodebate - O clima então é o principal vilão desta safra?
 
Wanderlei Guerra - Ao mesmo tempo foi o vilão e foi importante também para evitar a explosão da ferrugem. A seca que houve no inicio de janeiro ajudou a evitar a explosão da ferrugem. Alias o vilão da ferrugem precisa ter os três aspectos: é preciso ter a planta verde, que ocorre na entressafra; o esporo no ar; e o clima úmido.
 
 Agrodebate - O numero de aplicação fungicida aumentou?
 
Wanderlei Guerra - Pode se dizer que na soja precoce sim. No ano retrasado estive na mesma região de Sapezal e vi produtores que fizeram uma ou até nenhuma aplicação. Neste ano, em função do preço melhor da soja, os produtores não quiseram se arriscar e fizeram um controle mais adequado.
 
Agrodebate - Qual é a diferença desta safra para as últimas temporadas?
 
Wanderlei Guerra - Certamente haverá menos perdas que houve na safra passada em questão da ferrugem. Para o Ministério da Agricultura, que faz o trabalho de defesa vegetal, foi feita a diferença em parceria com a Aprosoja e o Indea. Houve uma melhora sensível no aspecto fitossanitária da cultura. Esperamos o mesmo trabalho na safra seguinte.
 
Agrodebate - O trabalho do Ministério da Agricultura continua, mas qual é planejamento daqui para frente?
 
Wanderlei Guerra - Nós concluímos em fevereiro a avaliação da soja precoce. Vamos reavaliar com os produtores, que tiveram prejuízos no ano passado,  a situação deste ano. A partir de março vamos começar a orientar o produtor para que ele faça a destruição da soja guaxa antes de 15 de junho, que é quando começa o período de vazio sanitário. Estaremos junto com o Indea incentivando as prefeituras a assumirem o papel de destruição da soja guaxa dentro das cidades, que ainda é um grande problema. Faremos uma nova avaliação do vazio sanitário. No mês de outubro e novembro faremos a primeira avaliação do momento adequando da segunda aplicação. Não muda muito o planejamento a cada safra.

Fonte: Agrodebate

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