Mudança em regra de pulverização é interferência política na saúde, diz pesquisador de MT
7 de janeiro de 2013

A mudança na regra de pulverização em lavouras, anunciada nesta semana pelo Ministério da Agricultura, é "mais uma interferência política nas questões da saúde populacional", segundo apontou o professor da Universidade Federal de Mato Grosso, autor de pesquisas sobre o efeito dos agrotóxicos na saúde, Wanderlei Antônio Pignati, ao jornal Diário de Cuiabá. O pesquisador destacou também que um dos venenos liberados, o fiopronil, é fatal para as abelhas, que contribuem para a produção de alguns alimentos.
Wanderlei é o autor de uma pesquisa desenvolvida em Lucas do Rio Verde, com participação de 62 mulheres em fase de amamentação, onde constatou-se que que o leite materno analisado apresentava dez tipos de agrotóxicos, dentre eles inseticidas, herbicidas, etc.
De acordo com o responsável pelo centro de intoxicados do Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC), Luiz Antônio Figueiredo, a ação do veneno no organismo pode ocorrer de forma aguda, mais rápida e menos grave, ou crônica, aos poucos e com efeitos duradouros. “Você pode ter muitas coisas por conta da intoxicação por agrotóxicos, inclusive problemas neurológicos. Em algumas regiões rurais, as mulheres apresentam altas taxas de aborto por estarem contaminadas”.
Figueiredo aponta que na capital não há ambulatório específico para cuidar de casos graves de intoxicação, e que o Pronto Socorro recebe somente os casos agudos.  As principais ocorrências com venenos, segundo ele, são acidentais ( quando a vítima derruba o veneno na pele ou o ingere sem querer) ou em casos de suicídio. “Tirando os suicídios, muitas vezes as pessoas nem sabem que estão intoxicadas. Nas contaminações agudas, dentro de um mês ela começa a apresentar dor de cabeça, vômito, diarreia, queda de pressão e só depois é encaminhada pra cá”, disse.
Para agravar a questão da contaminação, o Decreto 1.362, que entrou em vigor em setembro do ano passado, alterou a distância permitida para aplicação de agrotóxicos. Antes, a aplicação do veneno só era permitida a uma distância mínima de 300 metros de cidades e mananciais de captação de água, 200 metros de nascentes e 150 metros de mananciais, moradias isoladas e agrupamentos de animais. Com a nova norma, todas estas distâncias foram reduzidas para 90 metros.

A reportagem entrou em contato com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (FAMATO), porém os funcionários se encontram de férias. Já o Sindicato dos Produtores Rurais de Cuiabá e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) não atenderam as ligações.
Nova regra:
Conforme Só Notícias/Agronotícias informaram, as aplicações aéreas de produtos agrotóxicos que contem Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina e Fipronil para as culturas de algodão e de soja serão flexibilizadas de acordo com o ciclo de cada região do país. A partir de agora, a aplicação será permitida apenas para algumas culturas, cujo uso da aviação agrícola é essencial, preservando o máximo possível o período de visitação das abelhas. Antes, existia um prazo fixo para todos os Estados.
 

Fonte: Só Notícias/Agronotícias

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