Produtores denunciam prática de concorrência desleal no mercado
2 de outubro de 2012

“Enquanto o governo Lula incentivou a política do etanol no País, sua sucessora, a presidente Dilma, está descartando o melhor programa de energia renovável do mundo”. A posição é da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), em repúdio ao comportamento do Planalto, diante do que chama de ‘descaso governamental’ com o segmento. Segundo a Unida, mais três usinas estão para fechar, por conta da falta de incentivo, somando às outras 42 no País: Uruba, Laginha e Guaxuma, todas no Estado de Alagoas.

 

 
Na avaliação da Unida, o Poder Executivo está promovendoum ‘dumping’ – quando estimula a comercialização da gasolina a preços abaixo do custo de produção, impondo uma concorrência desleal com o etanol brasileiro, colocando o setor na bancarrota. Mesmo diante da crise, o governo continua “mascarando” o preço da gasolina, pagando para ela ser vendida mais barata no mercado interno, gerando uma concorrência desigual com o etanol.

FECHAMENTO

A lista de usinas fechadas não para de aumentar. “O Estado de Alagoas, por exemplo, é o maior produtor regional, mas não pode aguentar o congelamento de preço e a desoneração desleal da gasolina fóssil e finita, contra o etanol limpo e renovável”, pontua o presidente da Unida, Alexandre Andrade Lima. O setor ainda tem que lidar com um custo de produção da cana cada vez maior.

A situação é idêntica em Pernambuco. A usina Catende, unidade que já foi a maior no Estado, é um exemplo de como termina um processo de falência, segundo Alexandre. Ela moeu precariamente em 2011, e, neste ano, parou de funcionar. O presidente da Unida informa, ainda, que a Usina Cruangi também não vai moer nesta safra, e outras cinco unidades estão com sérias dificuldades financeiras. “A presidente Dilma está fazendo uma intervenção na política energética do País, às custas do sangue do produtor e industrial sucroenergértico”, desabafa.

SEM EFEITO

Atualmente, mais de 80 usinas estão à venda no País. O dirigente revela que já está cansado de participar de tanta reunião nos ministérios da Casa Civil e da Agricultura, para nada sair do papel. Ele compara os encontros a conversas entre surdos. “Estas reuniões, em Brasília, não estão surtindo efeito e não podemos ficar mais aguardando promessas do Governo Federal, que nunca se realizam”, fala aos membros do setor.

Para Andrade Lima, os integrantes da cadeia sucroenergética também são responsáveis pelo atual cenário caótico. “Todos parecem que estão amordaçados, falta articulação nacional para fazer a pressão necessária visando mudar este cenário”, ressalta. Ele aproveita para convocar todos a iniciar, urgentemente, uma mobilização de ampla visibilidade para denunciar o descaso contra o combustível agrícola mais limpo e eficiente do mundo.

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