Ritmo de comercialização antecipada está 33% menor
3 de novembro de 2008



O segundo levantamento de comercialização de soja da Agência Rural Commodities Agrícolas (AgRural) para a safra 08/09 aponta grande descompasso na relação entre o andamento das vendas deste ano e das realizadas no ano passado.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, a redução no ritmo de vendas é de 33%. Em agosto de 2007, o volume de comercialização chegava a 60%.

A soma da comercialização nos principais estados produtores chegou a 16% ante 13% no levantamento anterior, de agosto. Em relação ao mesmo período de 2007, em que as vendas já haviam atingido 38%, a diferença é de 22 pontos percentuais.

Mato Grosso registra incremento de três pontos percentuais na comparação com as duas projeções. Até agora, os sojicultores mato-grossenses fecharam negócios que correspondem a 27% da produção.

Em agosto o percentual estava em 24%. A região leste do Estado é a mais ‘negociada’, com 31% cultivada. No primeiro levantamento, as vendas haviam computado 29%.

A região sul de Mato Grosso indicou o maior avanço, com ganho de três pontos percentuais, e vendeu 30% da safra. Na porção oeste a comercialização foi de 24% para 26% e no norte de 22% a 24%.

Pelos números da AgRural, o Estado deverá fechar a atual safra com 5,8 milhões de hectares cultivados e 17,40 milhões de toneladas.

O motivo para a redução do ritmo de comercialização é a falta de interesse dos produtores em fechar negócios pelos preços atuais. Muitos sojicultores argumentam que não são suficientes para cobrir sequer os custos de produção.

Para o sojicultor de Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Mato Grosso) John Lehnen, enquanto a cotação estava a um valor recorde em Chicago, por volta de US$ 14 e US$ 16 por bushel, não havia compradores.

Agora, que o preço ‘despencou’ para algo entre US$ 8 e US$ 9 o bushel, é o produtor que não está interessado em vender, uma vez que adquiriu os insumos por valores altos.

"Se o dinheiro da comercialização for para pagar os custos desatrelados ao dólar, como folha de pagamento e diesel, até dá para vender. Mas não dá se for para custear adubo e semente", disse.

Além disso, Lehnen contou que vendeu 15% da soja que espera colher, ante mais de 50% na safra passada. O produtor de Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) Carlos Turra também admite ter feito poucos negócios de soja neste ano.

No ano passado, porém, Turra lembra que já estava com 80% da produção negociada. "O preço da soja está uma miséria", resumiu. Ele ainda conta que, no seu caso, o gasto com adubo saltou de 80 sacas no ano passado para 130 sacas.

No Paraná, segundo na lista de produção da oleaginosa do país, as vendas tiveram alta de dois pontos percentuais e chegaram a 10% contra 8% em agosto. No ano passado, os produtores de soja paranaenses estavam com 30% da soja negociada.

Os dois estados cujos maiores percentuais foram negociados são Maranhão e Tocantins, ambos com 30% vendidos. Apesar disso, no ano passado, as vendas do Maranhão marcavam 53% e as dos Tocantins indicavam 44%.

O Rio Grande do Sul se ateve à premissa de fechar poucas vendas antecipadas e apontou 6% da oleaginosa negociada, contra 4% em agosto.


Autor: Só Notícias/Agronotícias

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