Vazio sanitário em Mato Grosso termina dia 15
11 de setembro de 2012

Uma das entidades que está alertando para o perigo da ferrugem asiática é a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), isso porque o vazio sanitário termina no próximo dia 15 de setembro e os produtores rurais já se preparam para a safra 2012/2013 de soja, cuja produção deve atingir 24 milhões de toneladas, conforme os números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
 
 
Sendo que para garantir a safra recorde, a Famato chama atenção para alguns cuidados e evitar a propagação da ferrugem, em função dos enormes prejuízos econômicos que essa doença pode causar.
 
 
Há algumas semanas, técnicos da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) visitaram as principais regiões produtoras de soja do estado para verificar a efetividade do vazio sanitário. O cenário encontrado pelos técnicos não foi bom. Além da presença de plantas involuntárias, chamadas de soja guaxa ou tiguera, nos campos e às margens de rodovias, muitas  estavam infestadas com o fungo Phakopsora sp, causador da ferrugem asiática.
 
 
Entende-se por vazio sanitário o período de ausência total de plantas vivas de soja, excluindo-se as áreas de pesquisa científica e de produção de semente genética, devidamente monitorada e controlada.
 
 
 A medida adotada pela Secretaria de Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento é uma proteção contra a ferrugem asiática, que provocou um prejuízo de 2 bilhões de dólares à sojicultura brasileira na safra 2005/2006.
 
 
 Durante o período  do Vazio Sanitário, todas as plantas de soja existentes na propriedade devem ser erradicadas, por meio de produtos químicos ou equipamentos. O vazio sanitário reduz o impacto negativo causado pela doença, sendo que o produtor tem menos gastos com defensivos agrícolas e mais chance de total aproveitamento da safra.
 
 
Somente na safra passada (2011/2012), a doença resultou em perdas financeiras na comercialização de R$ 364 milhões, de acordo com o Imea. Segundo a analista de Agricultura do Núcleo Técnico da Famato, Karine Gomes Machado, alguns fatores contribuíram para a propagação destes tipos de plantas no estado, entre eles está o prolongamento das chuvas e a adoção dos cultivares RR (resistentes ao herbicida Glifosato), que têm alterado a dinâmica do controle químico das lavouras. A analista alerta ainda que todos os produtores que façam a destruição das plantas vivas de soja em suas propriedades de forma mecânica ou química se o clima permitir. Lembrando que caso seja feito o arranque manual, é importante realizar a incineração das plantas.
 
 
A analista também lembra que a presença da soja involuntária pode resultar em multas ao produtor rural, que podem chegar a R$ 50 por hectare de área onde tiver plantas de soja tigueira. Valendo ressaltar que mais importante que a multa é a questão sanitária. Se não forem tomados os devidos cuidados, o potencial da próxima safra, que tem tudo para ser a maior da história, pode ser afetado.

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