Biodiesel fluminense
28 de agosto de 2012

Grande parte do biodiesel consumido na região Sudeste vem do Centro-Oeste. Pelas regras atuais, as distribuidoras buscam o biodiesel diretamente nas fábricas, para depois misturá-lo ao óleo derivado do petróleo, em uma proporção máxima de 5%.


O Globo

 
George Vidor


Esse passeio cria dificuldades logísticas e ainda provoca queima considerável de combustível, pois o biodiesel é transportado por centenas de quilômetros (ou até milhares), em caminhões. Um investidor de Duque de Caxias, com experiência no ramo, identificou na substituição desse “passeio” uma oportunidade de negócio, e resolveu apostar numa fábrica no Rio de Janeiro. Recebeu apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado e da UFRJ, e com recursos próprios investiu R$ 32 milhões na montagem de uma indústria, no município de Porto Real, que começará a funcionar em outubro, assim que obter as licenças da Agência Nacional de Petróleo (ANP).


A fábrica sozinha terá condições de abastecer todo o consumo de biodiesel no Estado do Rio, pois sua capacidade será de 100 milhões de litros por ano. Em um primeiro estágio usará diferentes tipos de óleo como matéria-prima, exceto o de mamona, cuja viscosidade não é considerada a mais adequada. A alma tecnológica dessa primeira indústria fluminense de biodiesel é a automação. Um software poderoso, patenteado no Brasil, fará o ajuste das viscosidades para se chegar ao produto final. Capitaneado por Nelson Furtado, PhD que coordena o programa de biodiesel da Secretaria, e que há anos anos participa na UFRJ de pesquisas ligadas a esse tipo de combustível, o projeto foi inovador em todas suas etapas, desde a escolha do local (aproveitando instalações de outra fábrica que não fora adiante) até a reutilização de equipamentos adquiridos por empreendedores que desistiram no meio do caminho. Com isso, o investimento diminuiu. Tem empresa conceituada, grande, que investiu três vezes mais e produz menos que o previsto para a indústria de Porto Real.


O pulo do gato será a utilização de microalgas como matéria-prima em futuro próximo. A tecnologia já foi testada em laboratório e pequena escala pela Coppe e a Escola de Química, da UFRJ. Como subproduto do óleo retirado das microalgas (que capturam também CO2 da atmosfera), haverá uma ração líquida ótima para alimentar peixes em cativeiro. Nelson Furtado estima que com esse programa de biodiesel deixarão de ser lançados na atmosfera 250 mil toneladas de gases
causadores do efeito estufa, habilitando o estado a receber US$ 1,5 milhão em créditos de carbono.

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