Preço da soja esfria, após mês de avanço no mercado global
14 de agosto de 2012

Os contratos das principais commodities agrícolas negociadas no mercado futuro tiveram perda de valor, ontem, após um mês de escalada de preços no mercado internacional. A soja se desvalorizou pela primeira vez desde julho e a cotação do milho, que já tinha barateado na última sexta-feira, apresentou nova queda.


 


Especialistas do mercado agrícola que analisam o mercado financeiro observam que as variações negativas são um ajuste - depois de os grãos terem batido uma sucessão de recordes.


A quebra de safra norte-americana, que impulsionou a escalada de preços, ficou mais clara para o mercado, na sexta-feira passada, com a divulgação do relatório mensal de produção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês).


Para analistas, não está descartada a possibilidade de uma liquidação, liderada por fundos de investimento, dos papéis de compra e venda das commodities.


"O mercado age rápido nesse tipo de situação", diz Bruno Perottoni, da área de Grãos da corretora Terra Investimentos. "Pode haver um típico movimento de venda", afirma, estimando que fundos detêm 1,2 milhão de papéis.


O bushel da soja encerrou o dia com perda de 2,6%, negociado a US$ 16 no mercado futuro (para novembro). E o do milho, vendido a US$ 7,92 (para dezembro), perdeu 2% de valor.


A safra da oleaginosa ainda pode se recuperar, neste mês, dos efeitos da seca nos Estados Unidos, o que aliviaria o preço do farelo, por exemplo, que afeta toda a cadeia produtiva da carne.


O USDA reduziu a projeção inicial para uma produção de 9,7 milhões de toneladas de soja (11,7% a menos do que a estimativa inicial), passando para 73,3 milhões de toneladas.


No caso do milho, 101 milhões de toneladas deixaram de ser esperadas. E a safra do grão ficou calculada em, futuramente, 375 milhões de toneladas.


O contexto favorece o produtor brasileiro, sendo que os preços na Bolsa de Chicago (CME, em inglês) e o câmbio com o dólar tornam a exportação mais rentável.


"Mesmo com as baixas, nunca se viu preços tão bons", observa a especialista Daniele Siqueira, da Agência Rural. "Com mais o dólar em alta, é tudo o que o produtor gostaria", diz.


Ano que vem


Nas negociações com a soja, o cenário de 2013 vai depender do clima, do volume de estoque acumulado e das safras sul-americanas (que, neste ano, por causa da estiagem, também quebraram).


Motivados pela atratividade de preço da oleaginosa, sojicultores do Brasil, da Argentina e do Paraguai devem ampliar a área plantada do grão em cerca de 13% na safra atual. No País, a estimativa é de que o território ocupe 28 milhões de hectares.


"Se a quebra nos Estados Unidos for grande a ponto de reduzir os estoques mundiais, os preços não cairão no ano que vem", analisa Daniele Siqueira.


"É difícil falar em reversão de tendência", diz Perottoni, "mas o mercado se antecipou muito - os dados já estavam precificados". De acordo com ele, a relação entre estoque e consumo, no caso da soja, é a menor desde a década de 1950.


Perottoni frisa que "a discussão chegou a nível de ONU e G-20". Os órgãos internacionais pedem aos EUA que deixem de produzir etanol à base de milho, para que o grão sirva de alimento (40% da safra, em média, são usados para a destilação do biocombustível).

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