Mamona e pinhão-manso podem ser matérias-primas para biorrefinarias
7 de julho de 2012

As dificuldades para determinar substâncias tóxicas nas tortas da mamona e do pinhão-manso permearam as discussões no Simpósio de Destoxificação e Aproveitamento de Tortas de Pinhão-manso e Mamona (SiDAT). O evento foi realizado no auditório da Embrapa Estudos e Capacitação (Brasília-DF). A Embrapa Agroenergia (Brasília-DF) e a Embrapa Algodão (Campina Grande-PB) foram as instituições responsáveis pela organização do Simpósio, que contou com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

As discussões giraram em torno dos métodos analíticos para identificação de substâncias tóxicas e das alternativas, além da ração e dos fertilizantes. A primeira palestra foi ministrada pelo diretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) Harinder Makkar, que desenvolveu o método analítico mais utilizado atualmente para determinação de ésteres de forbol – principal substância tóxica do pinhão-manso. Na mesma mesa-redonda de que participou Makkar, pesquisadores brasileiros apresentaram as alternativas que estão utilizando para monitoramento e controle de qualidade de destoxificação das tortas.

Uma das opções apresentadas foi a realização de bioensaios que empregam espécies de caramujos que são altamente sensíveis a doses muito pequenas de ésteres de forbol, metodologia que poderá ser empregada, por exemplo, na avaliação de adulteração de rações.

Biorrefinarias
As novas formas de agregar valor e aproveitar as tortas também permearam os debates no SiDAT. Nesse sentido, foi defendida a busca de alternativas para o aproveitamento total da biomassa das culturas em questão, fortalecendo o conceito de biorrefinarias. Nesse tipo de indústria, diversas instalações utilizam a biomassa para dar origem, por meio de processos sustentáveis, a energia e vários produtos: biocombustíveis, rações, fertilizantes, produtos químicos. “Nós não queremos perder um micrograma”, afirmou Makkar, sobre os desafios e oportunidades para utilização do pinhão-manso. Ele acredita que os ésteres de forbol da oleaginosa possam ser empregados na fabricação de biopesticidas e aposta também no aproveitamento da lignina da casca, como combustível.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, lançou um desafio para os participantes: apresentar, no próximo Simpósio, mais trabalhos voltadas à área de biorrefinarias. “Essas ações vão conferir valor agregado muito maior a essas oleaginosas”, disse.

Mamona, pinhão-manso e outras culturas energéticas estarão novamente em debate este mês, no V Congresso Brasileiro de Mamona. Promovido também pela Embrapa Algodão e a Embrapa Agroenergia, com o apoio do Mapa.

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