Seca nos EUA pode aumentar exportações brasileiras de milho e ajudar a equilibrar mercado interno
7 de julho de 2012

A estiagem que vem afetando as lavouras de milho nos Estados Unidos e causando quebra da safra norte-americana do cereal pode alavancar as exportações brasileiras dos grãos, fazendo com que o mercado interno atinja um nível adequado de oferta e demanda. A opinião é do analista Vlamir Brandalizze, que projeta uma expectativa de  12 a 14 milhões  de toneladas de milho exportadas até o próximo ano, caso a seca norte-americana realmente continue e confirme uma quebra na produção do país.

A perspectiva vem como contraponto à tendência de baixa no cenário do cereal no mercado interno, causada pela supersafra de milho esperada no Brasil, que tenderia  a puxar os preços para baixo com as ofertas elevadas, além  de colocar excedentes dos grãos no mercado.

De acordo com relatório do Departamento de Agricultura Norte Americano USDA ) , a estiagem no país  já prejudicou o vigor das plantas nas áreas de milho, reduzindo as lavouras em bons estados de 52% para 45%. Para Brandalizze, as perdas  nos Estados Unidos já influenciaram o mercado brasileiro:  “Já houve aumento nas cotações, e o milho de exportação também já apresentou avanço”, revela.

O mercado interno do milho nessa semana passou por uma fase de estabilidade e leve alta, de acordo com o analista. A colheita da safrinha, segundo Brandalizze, está em ritmo mais lento que nos anos anteriores, pois as lavouras estão com muita umidade, o que faz com que os produtores  esperem o milho perder umidade no campo para que não precisem secar os grãos, o que aumentaria os custos.  O ritmo da colheita, entretanto, deve aumentar  já nas próximas semanas, dependendo bastante da melhora no clima.

Como as diferentes regiões produtoras do Brasil devem aumentar a velocidade dos trabalhos e começar a colher o milho ao mesmo tempo , a oferta vai ser maior e deve haver pressão de baixa da próxima semana em diante , caso o mercado de Chicago não exerça apoio no cenário.

No mercado internacional, o cenário é de preços muito positivos. Os futuros do cereal negociados na Bolsa de Chicago registraram dias consecutivos de altas bastante firmes diante de expectativas de que as condições climáticas adversas irá reduzir drasticamente a produção no país.

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