Projeto terá de incluir eclusas
27 de junho de 2012

O projeto da hidrelétrica de Sinop terá que incluir a construção de eclusas para garantir a navegabilidade no rio onde ocorrerão as obras. A decisão partiu da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), atendendo um pedido da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). A alteração vai constar do licenciamento da usina (UHE), que faz parte do complexo de cinco empreendimentos energéticos que serão instalados no rio Teles Pires no norte de Mato Grosso.

A edificação de eclusas deve ocorrer simultaneamente à obra da UHE do município. Segundo o representantes do setor, essa conquista é muito importante pois é o ponta pé inicial para viabilizar a navega-ção e a logística do Estado. As eclusas permitem o tráfego de navios em pontos mais rasos do rio e podem ser utilizadas no transporte de cargas.

ENTENDA

No mês passado, durante reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), a Famato pediu vistas ao processo de implantação da hidrelétrica, depois que representantes da Sema sugeriram em parecer técnico da obra a aprovação da emissão da licença prévia do empreendimento. Segundo
diretor de relacionamento institucional que representa a entidade no conselho, Rogério Romanini, a solicitação foi feita por não ter ficado claro a necessidade da construção de uma eclusa simultaneamente à obra, no rio Teles Pires.  Conforme ele, a construção da eclusa juntamente à da hidrelétrica consumirá 7% do valor total do projeto. Caso a construção seja feita posteriormente, o custo chegará a 30% do total. “O
ideal é que seja construido simultaneamente”, explica.

LOGÍSTICA

Segundo o coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, as eclusas poderão
desenvolver ao mesmo tempo o setor energético e a logística do Estado. “É o ponta-pé inicial para garantir ao Estado uma logística mais competitiva”, aponta. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, a não contemplação do canal nos projetos é o mesmo que se desperdiçar dinheiro público, por que o transporte hidroviário é muito mais eficiente que o rodoviário ou ferroviário. Galvan explica que o setor se mobiliza para ao menos constar em todos os projetos de construção das
usinas no rio Teles Pires a abertura do canal, onde seria construída a eclusa. “Tem que haver o interesse
em viabilizar a hidrovia em Mato Grosso, pois será a solução de logística para Mato Grosso, que é a mais
cara do Brasil”.

Outra preocupação- A Famato também votou para que sejam realizados estudos complementares in
loco que identifiquem os danos a serem causados pelo empreendimento. “Deixamos claro que não somos,
em momento algum, contra a construção de usinas hidrelétricas em Mato Grosso. A nossa preocupação
é de exigir que os empreendimentos que influenciem no meio ambiente, economia e que possam afetar
diretamente a população sejam sustentáveis”, destaca Romanini.

Conforme estudo apresentado pela Sema, a área utilizada para a usina será de 33,700 mil hectares,
sendo que 30,300 mil hectares serão inundados (incluindo áreas produtivas). A UHE Sinop atingirá diretamente 408 famílias, o que representa cerca 1.066 pessoas nos cinco municípios impactados pela construção. A hidrelétrica  terá capacidade instalada de 461MW, sendo a menor usina do complexo Teles Pires.

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