Queda de preço de arroz é incerteza em Mato Grosso
30 de outubro de 2008

O preço do arroz em Mato Grosso tem subido desde junho deste ano e por enquanto, não há previsão de queda, mesmo com a entrada da safra no início do próximo ano. Isso porque além do Estado estar sem o chamado estoque de passagem, se o dólar continuar em ascensão como está, os produtores brasileiros vão preferir exportar mais o produto. A avaliação é do presidente licenciado do Sindicato da Indústria do Arroz (Sindarroz), Joel Gonçalves Filho.

Segundo ele, de junho para cá a saca de 60 quilos de arroz em Mato Grosso saiu de R$ 38 para em torno de R$ 45, R$ 48 agora. Ele diz que a indústria não conseguiu repassar toda essa alta ao consumidor porque o arroz mato-grossense já está apenas R$ 1,00 de diferença com o arroz que vem do Rio Grande do Sul. Antes, essa diferença chegava a R$ 3,00 ou R$ 4,00. Ou seja, se o arroz daqui não tiver preço menor, não será competitivo no mercado. "Se repassarmos toda a alta, nosso arroz vai ficar mais caro do que o do Rio Grande do Sul, não é viável. A lucratividade da indústria está bem prejudicada".

Esse preço maior se deve ainda à redução da produção do grão no Estado. Gonçalves lembra que há quatro anos se produziu em Mato Grosso 2 milhões de toneladas do grão. Nesta safra são apenas 630 mil toneladas. Mesmo assim, este ano a indústria não deve ter problema de falta de arroz para industrialização, como aconteceu no ano passado.

O presidente do Sindarroz destaca que a grande maioria das indústrias locais se precaveu e fez estoques para agüentar até dezembro e início de janeiro, que é quando deve começar a colheita da nova safra. Gonçalves só se diz preocupado com o fato de que Mato Grosso não vai ter estoque de passagem. O estoque de passagem é um restante de arroz que fica de uma safra para outra para atender qualquer imprevisto no abastecimento.

De acordo com ele, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já zerou seus estoques. "Se tivermos qualquer frustração na safra pode faltar arroz no mercado no início do ano, porque não temos uma margem de segurança. No Rio Grande do Sul o estoque de passagem é de 1,2 milhões de toneladas, que é menor nível já registrado. Aqui vai ser zero".

Gonçalves diz ainda que em Mato Grosso o plantio atrasou por conta das chuvas, por isso, já é esperado um atraso no início da colheita, em janeiro.

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