Agropecuária: receita será 11% maior em Mato Grosso
30 de maio de 2012

Se dinheiro em caixa é o que realmente mostra a boa performance de um segmento ou de uma atividade, a agropecuária estadual já tem o que comemorar em 2012, mesmo faltando sete meses para o fim do ano. Conforme avaliações feitas pala Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), por meio do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Valor Bruto da Produção (VBP) vai crescer 10,9% em relação ao consolidado no ano passado, passando de R$ 28,39 bilhões para R$ 31,48 bilhões. O ganho em cifras é reflexo de uma conjuntura interna e externa que congrega incremento de produção, de preços e de demanda.

A projeção de crescimento de quase 11% é quase três vezes maior do que a projeção ao Produto Interno Bruto do país (PIB) que deve superar 2011 em mais de 4% e é simplesmente o dobro da estimativa de inflação para o ano, que de acordo com dados oficiais deverá atingir até 5,82% em 2012. Se as duas análises o VBP mato-grossense exibirá crescimento real, descontado a inflação do período, de 5,08% e vai cravar percentual de crescimento acima do que se espera para economia chinesa.

Como frisam analistas, poucos segmentos terão um número tão positivo quanto esse. O VBP é um indicador considerado muito importante na agropecuária porque ele retrata exatamente a renda gerada da porteira para dentro, já que para se chegar a um montante considera-se o volume produzido e os preços pagos pelo mercado.

Como destaca o presidente, há um mito de que o Mato Grosso exporta toda a soja que produz. Conforme dados das exportações estaduais no ano passado, das 20,56 milhões toneladas colhidas na safra 2010/11, apenas 47% foram destinadas ao exterior. “Mesmo exportando menos de 50% da produção ofertamos 9,2% da produção mundial do grão. Mato Grosso está para o Brasil no agronegócio, como São Paulo está em relação à indústria. Precisamos de logística e de marketing para vender nossos produtos lá fora e ao invés de grãos, embarcar cada vez mais carnes que são a agregação de valor dos grãos”. A participação de Mato Grosso no comércio mundial da soja pode ser ilustrada da seguinte forma: para cada 100 toneladas comercializadas, quase 10 t - ou 9,2 t - saíram de Mato Grosso.

DADOS

Os números apresentados ontem pela Famato e pelo Imea fazem parte do estudo “Conjuntura Econômica de Mato Grosso”, material que será divulgado mensalmente. O objetivo é avaliar a economia estadual utilizando os principais indicadores como exportações, produção agropecuária, configuração do mercado de trabalho, concessão de crédito rural, maquinário agrícola, câmbio, taxa Selic, inflação e varejo.

A expectativa de bom desempenho do VBP da agropecuária mato-grossense se deve, principalmente, a boa safra de milho, soja e leite que juntos representarão 59% do total do valor bruto da produção até o final deste ano. Estima-se que o VBP destas culturas apresente crescimento significativo de 72,1%, 17,3% e 10,7%, respectivamente.

O superintendente do Imea, Otávio Celidonio, ressalta outros fatores conjunturais que também contribuíram positivamente para a economia estadual em 2011 e as expectativas para 2012. Entre eles está a taxa Selic, que registrou redução e está em 9%. A perspectiva é de que a taxa ainda seja reduzida, mas não deve seguir inferior a 8% até o final do ano. “A Selic baixa estimula novos investimentos, já que tende a reduzir os juros do mercado, favorecendo, por exemplo, a aquisição de máquinas agrícolas”, avalia Celidonio.

CONJUNTURA

Atualmente o câmbio está na faixa dos R$ 2, mas se a crise na Europa não se agravar é esperado que encerre o ano em R$ 1,95, porém, até o final do ano, deve oscilar entre R$ 1,85 e R$ 2,20. A inflação acumulada segue em 3,86% devendo encerrar o ano um pouco elevada, em 5,82% mas sem grandes alterações na demanda, já que o mercado de trabalho está aquecido, e os preços no varejo indicam preços menores em relação ao ano passado, no acumulado o IPCA está em 5,10%, devendo encerrar o ano em 5,17%. “Apesar de toda pressão que a demanda externa exerce sobre a formação dos preços das nossas commodities (soja e carnes, por exemplo), isso não deverá afugentar o consumo interno e assim, a demanda local e doméstica seguirá aquecida”, destaca Prado.

Mesmo com as turbulências econômicas e políticas da Zona do Euro e dos Estados Unidos (ainda combalido da crise de 2008), o agronegócio estadual está ileso para 2012. “Não sabemos como será essa influência para 2013, mas como os contratos de vendas de grãos e fibras, especialmente, fechados, restando apenas embarcar a produção, dificilmente o VBP será revisado para baixo”, avalia o gestor do Imea, Daniel Latorraca.

Outras Notícias
16/10/2015 Mudança no PIS/Cofins vai aumentar custos para produtores ru...
16/10/2015 ANTT define medidas para isenção de pedágio para eixos suspe...
16/10/2015 Dólar dita ritmo da venda do milho em Mato Grosso
16/10/2015 Monitoramento da Adapec mostra baixa incidência da ferrugem ...
16/10/2015 Cananéia, uma das referências do sistema brasileiro de defes...
HISTÓRIA | SERVIÇOS | LOCALIZAÇÃO | FALE CONOSCO | WEBMAIL
Todos os Direitos Reservados © 2026