Mato Grosso soma déficit de R$ 2,8 bilhões para concluir plantio de soja, milho e algodão
27 de outubro de 2008

Autor: Agronotícias

Mato Grosso inicia a temporada agrícola 08/09 com uma equação negativa para quem planta: custos de produção elevados em 43% nos últimos doze meses e o valor das principais commodities recuado em 46% no período de junho a setembro deste ano. O resultado do desencontro contábil é um déficit de R$ 2,8 bilhões para o produtor concluir o plantio das três principais culturas mato-grossenses: soja, milho e algodão. A informação é do Diário de Cuiabá.

Segundo números divulgados ontem pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), órgão pertencente à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), o déficit no Estado é resultado da perda de rentabilidade e a fuga do capital estrangeiro, que atualmente financia cerca de 85% da produção estadual, neste período pós-crise mundial.

Para realizar o plantio da soja, do milho e do algodão neste novo ano-safra são necessários investimentos de R$ 12,2 bilhões, considerando o mesmo volume de área semeado na safra 07/08, assim como a utilização do mesmo pacote tecnológico, em suma, adubos e fertilizantes. Na safra passada foram investidos em Mato Grosso R$ 8,54 bilhões.

“Os R$ 2,8 bilhões são os recursos que deveriam ser aplicados pelo produtor e que, por conta do passivo de dívidas das safras passadas e do vertiginoso incremento do custo de produção, hoje se tornaram inexistentes para pagar e plantar. Por isso, muitos fizeram a opção por plantar”, explica o superintendente do Imea, Seneri Paludo.

De acordo com o Imea, a composição de capital no Estado para formação das lavouras nesta safra é a seguinte: R$ 7,40 bilhões oriundos do capital privado, essencialmente das tradings, R$ 890 milhões do crédito oficial e R$ 3,95 bilhões de capital próprio do produtor. “Com um estoque de dívidas de pouco mais de R$ 1,2 bilhões para vencer em 2008, a capacidade de investimento do produtor reduz”. Seneri lembra que na safra 07/08 a produção mato-grossenses dessas três culturas gerou renda de R$ 2,4 bilhões, mas a necessidade é de R$ 3,95 e há ainda o saldo devedor de R$ 1,2 bilhões. O produtor obteve renda, sim, na safra passada, porém ele enfrentou a valorização histórica dos insumos. Esse é o grande vilão da produção estadual”

Seneri conta que 70% do valor da soja reflete os custos de produção. “Na atual temporada temos o custo por hectare da oleaginosa em cerca de US$ 900 a US$ 1 mil, contra cerca de US$ 600 demandados na safra passada”.

O cenário estadual absorve os efeitos da crise mundial financeira, como também a reação do mercado à escalada das cotações internacionais ocorridas até a metade do ano, que trouxe consigo a inflação dos principais insumos agrícolas. “A soja tem uma situação diferente, pois o preparado ao plantio teve início antes da eclosão da crise mundial, mas sofre estilhaços em razão da depressão dos preços internacionais e possível esfriamento do consumo mundial. Já o algodão está em situação difícil, pois as contratações de aportes têm início em setembro, quando estourou a crise mundial, para cultivo a partir de dezembro. Hoje a cultura já acumula prejuízos de cerca de US$ 500 a 400 por hectare, ou uma rentabilidade até 25% negativa. O plantio da fibra exige investimentos de cerca de US$ 2,3 mil a US$ 2,5 mil por hectare em Mato Grosso”.

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