Safrinha, salvação da lavoura em 2011/12
11 de abril de 2012

A produção de milho de inverno deverá "salvar a lavoura" no país nesta safra 2011/12. Estimativas divulgadas ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a chamada safrinha será cultivada em 7,1 milhões de hectares, área 20,1% maior que em 2010/11, e renderá 29 milhões de toneladas, salto de 35,1% na comparação. Somada à safra de verão, semeada em 8,6 milhões de hectares e prevista em 36,1 milhões de toneladas - apesar das perdas causadas pela seca no Sul -, a safrinha ajudará a colheita total de milho a "encostar" na de soja, que lidera a produção brasileira de grãos desde a temporada 2000/01, mas que ainda poderá ter seu volume revisto para baixo.

Segundo a Conab, no total a produção brasileira de milho deverá alcançar 65,1 milhões de toneladas, 13,5% mais que no ciclo passado. Já a de soja, plantada em 25 milhões de hectares, área 3,4% superior a de 2010/11, deverá atingir 65,6 milhões de toneladas, queda de 12,9%. O tombo foi provocado sobretudo pelas quebras no Rio Grande do Sul e no Paraná, também causadas pela seca provocada pelo fenômeno La Niña. Em virtude da "nova" safrinha de milho, a colheita nacional foi calculada em 159,2 milhões de toneladas. Ainda que represente uma retração de 2,2% em relação ao total de 2010/11, é a estimativa geral mais alta desde dezembro. Conforme o IBGE, a colheita renderá, no total, 158,6 milhões de toneladas em 2012, 0,9% menos que em 2011.

Estimulada pelos bons preços praticados especialmente no mercado internacional, a safrinha de milho será puxada por Mato Grosso, onde a colheita deverá chegar a 10,7 milhões de toneladas, 47,6% mais que em 2010/11, conforme a Conab. No Paraná, que costuma liderar a produção de inverno do cereal, o volume previsto é de 8 milhões de toneladas, 29,3% maior. "Alguns Estados surpreenderam com a alta, e os preços também ajudaram bastante", afirmou o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Silvio Porto.


Segundo ele, a produção brasileira já é ótima se for considerado o volume consolidado, mas ainda é mal distribuída pelo território nacional, em uma realidade que costuma causar problemas sobretudo na região Nordeste, mas não apenas por lá. "Às vezes os criadores do Sul ficam sem milho. Vamos pensar nisso na hora de elaborar um plano regionalizado para que não falte alimentação aos animais. Podemos, por exemplo, incentivar a plantação de trigo para alimentação animal", informou Porto.

Das principais culturas que fazem parte do levantamento da Conab, haverá aumentos das produções em 2011/12 de algodão em pluma (2,1%), amendoim (30%), girassol (32,9%), sorgo (17,7%), centeio (9,4%) e cevada (7,5%), além do milho. Em contrapartida, há quedas estimadas para arroz (14,3%), feijão (2,6%) - ambos com forte influência sobre os índices que medem a inflação no país -, mamona (46,1%

Fonte: Valor Econômico

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