Seca na América do Sul ainda impulsiona preço da soja
5 de abril de 2012

A divulgação de novas estimativas de redução da produção de soja no Brasil e na Argentina na safra 2011/12, cuja colheita está na reta final, garantiu mais um dia de alta para as cotações da commodity ontem na bolsa de Chicago.

Os contratos com vencimento em julho, que ocupam a segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez), fecharam a sessão a US$ 14,2375 por bushel (medida equivalente a 27,21 quilos), ganho de 2,50 centavos de dólar em relação à véspera.

Ainda que modesta, a valorização comprovou que a estiagem que reduziu a produção na América do Sul ainda tem força na formação dos preços internacionais da oleaginosa. Milho e trigo caíram ontem em Chicago, um dia de alta do dólar, e a soja caminhava na mesma direção até a divulgação das projeções da consultoria Informa Economics.

Segundo a empresa, a colheita brasileira deverá somar 66,5 milhões de toneladas, 1,5 milhão a menos que o previsto em março; já a produção argentina foi ajustada para 45 milhões de toneladas, queda de 2,5 milhões sobre março e em linha com outras projeções.

No Brasil, a Informa considerou que os efeitos da seca provocada pelo fenômeno La Niña pioraram as condições das lavouras no sul do Rio Grande do Sul. Nos dois países, a consultoria considera que a situação ainda pode provocar novos cortes na colheita.

O "efeito La Niña" ajuda a sustentar as cotações internacionais da soja desde a primeira quinzena de dezembro. Como a demanda continuou firme, sobretudo por parte da China, e com isso as vendas dos EUA ganharam fôlego, os preços em Chicago subiram de patamar nos últimos meses. Em 2012, a valorização acumulada do grão chegou a 17,9%, segundo o Valor Data.

A Informa Economics também divulgou estimativas para a colheita de milho na Argentina e no Brasil, mas com poucas novidades. Manteve a projeção para a safra brasileira em 62 milhões de toneladas e reduziu em 500 mil toneladas, na comparação com março, o volume previsto para o país vizinho, agora calculado pela consultoria em 22 milhões de toneladas.

Num ranking liderado pelos EUA, Brasil e Argentina são o segundo e o terceiro maiores exportadores de soja em grão do mundo; no milho, a Argentina é o segundo maior país exportador, depois dos EUA.


Fonte: Valor Econômico

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