Postos reclamam do preço do S-50
3 de abril de 2012

Revendedores de combustíveis do Ceará estão cobrando do governo federal nova política de preços para o óleo diesel S-50 comercializado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e do S-500 e S-1800, distribuídos nos municípios do Interior cearense, distantes a partir de 50 quilômetros da Capital. Representados pelo Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis do Ceará (Sindipostos-CE), eles protestam contra o aumento de até R$ 0,06 (seis centavos) no preço, nas distribuidoras, do diesel S-50, que são obrigados pelo governo a comercializarem na RMF, desde março de 2009.


Diário do Nordeste/CE

 
O S-50 é um óleo com até 90% menos teor de enxofre, sendo portanto, menos poluente que o S-500. Na RMF, o litro do S-50 vem sendo comercializado nos postos de combustíveis, ao preço médio de R$ 2,05, enquanto, no Interior, o S-500 e S-1800, variam entre R$ 1,99, no Ipú, R$ 2,06, em Crateús, e até R$ 2,11, em Juazeiro do Norte.


Perdas


O vice-presidente do Sindipostos-CE, Antônio Machado, explica que, em 2009, o governo iniciou experiência piloto para comercialização do diesel S-50 nos postos das regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife e Belém. Até novembro último, o preço do S-50 nas distribuidoras era semelhante aos demais, com maior teor de enxofre, sendo a diferença do preço absorvida pela Petrobras.


Agora, explica Machado, a Petrobras cortou o subsídio, o que obrigou os postos da RMF a aumentar o preço do S-50 e consequentemente, levando os motoristas de caminhões, sobretudo, a abastecerem os carros, em estabelecimentos do Interior. "Há postos com perdas de até 35% nas vendas de diesel na Capital", protesta o empresário.


Conforme acrescenta, as grandes carretas, com tanques de até 600 litros, despendem até R$ 40,00, a mais, quando abastecem com S-50 na RMF, do que quando usam o S-500. "Como abastecem duas vezes por semana, a diferença no fim do mês é significativa, chega a R$ 320,00", contabiliza.


Dessa forma, aponta Machado, se a atual política de preços permanecer, a tendência será os postos de Fortaleza perderem clientela para os do Interior.


"Fomos pioneiros na venda do S-50, agora somos atacados pelas costas pelo governo", desabafou Antônio Machado. Ele disse ainda que o Sindipostos já procurou o Ministério Público Federal para questionar o aumento dos preços ou a obrigatoriedade das três RMFs venderem o S-50, enquanto o resto do País comercializa os outros tipos de diesel.

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