Produtores de MT querem garantias sobre cobranças de royalties da soja
31 de março de 2012

A introdução da nova variedade de soja transgênica no mercado brasileiro pela Monsanto, a Intacta RR 2 PRO, em substituição à RR (Roundup Ready), predominantemente utilizada nas lavouras do país já movimenta o setor produtivo. A empresa ainda não definiu o valor que será cobrado pela tecnologia e pretende defini-lo após encontros com representantes do setor. Em Mato Grosso, uma reunião está programada para a sexta-feira (30) junto à Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), em Cuiabá.

Na unidade federada, a maior parcela das áreas destinadas à oleaginosa é ocupada pela transgenia. Entre as safras 2010/11 e 2011/12 o percentual cresceu de 57% para 70%. Em números, avançou de 3,7 milhões de hectares para alcançar quase 5 milhões de hectares, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, somente os produtores de Mato Grosso pagam, em royalties pelo uso da soja RR o lucro equivalente a 5 milhões de sacas de soja colhidas.

O dirigente defende a adoção da transgenia nas lavouras como forma de alvancar a produção e ter o produtor rural disponibilidade de contar com variedades resistentes aos insetos e tolerantes, por exemplo, ao herbicida Glifosato. Ele diz que a definição de custos para a utilização das sementes de Organismos Geneticamente Modificados (OGM's) deve ocorrer em consenso.

Para Fávaro, a maior preocupação do setor produtivo do estado consiste não no valor a ser taxado pela Monsanto. Mas sim como será cobrado.

"Temos que garantir o direito de propriedade intelectual para quem pesquisou. Eles têm que ser remunerados por isso. A questão é de como cobrar. O valor o mercado regula. Agora, o benefício que vamos ter, se for viável pagar o custo dos royalties o produtor vai arcar", ponderou Carlos Fávaro.

Segundo o representante, há pontos a serem definidos. Entre eles, o pagamento de royalties da soja por produtores que não utilizaram as variedades transgênicas nas lavouras. "Tem a questão de contaminação, segregação. O produtor que não comprou e não usou a semente se tiver a soja contaminada vai ter que pagar por ela. São pequenos problemas que precisamos resolver", frisou o presidente da Aprosoja.

De acordo com a Monsanto, a nova variedade está pronta para venda, mas aguarda aprovação em países do mercado internacional.

Transgenia Brasil

No Brasil, a área de transgênicos cresceu 20% no ano passado, ou 4,9 milhões de hectares. Em todo país, foram plantados com os chamados OGM's 30,3 milhões de hectares. A soja transgênica ocupou 20,6 milhões de hectares, seguida pelo milho com 7,3 milhões de hectares e o algodão, 600 mil hectares, segundo o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).


Autor: Leandro J. Nascimento
Fonte: Agrodebate

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